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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Federações estaduais não mandam no taekwondo

Marcus Rezende


A Escola de Taekwondo Highway One, em Niterói ,no RJ, que eu supervisiono e que é dirigida pelo mestre Ricardo Andrade, procura manter a tradição brasileira de cobrança de honorários (trazida pelos mestres coreanos) aos que são examinados, compensando os instrutores, professores e mestres da escola com percentuais condizentes com a graduação que possuem. Acreditamos que o honorário visa estabelecer uma espécie de pensão ao mestre que, idoso, não teria mais a mesma saúde para ensinar. Entretanto, essa cobrança em nossa escola - que contempla a todos os envolvidos de forma gradual - segue um nível de razoabilidade, no que se refere a valores, além de ser definido pela própria escola, sem nenhuma interferência de qualquer entidade de administração.
Quando verifico uma federação estabelecendo tabela de valores de exames de faixa, fico estupefacto. É como se o taekwondo, os professores e mestres tivessem aparecido depois delas. É como se a federação tivesse primeiro sido criada e depois viessem o corpo docente da modalidade. É simplesmente surreal e que só acontece no Brasil por conta do nosso subdesenvolvimento intelectual.
Às vezes é bom deixar explicadinho as coisas, como se o praticante e os dirigentes fossem criancinhas de cinco anos. 
Então, vamos lá. Como a modalidade marcial aparece em determinado lugar? Resposta: por meio de alguém que resolve ensinar. Certo? Alguém acha que é diferente? Esse alguém começa a formar os que vão ensinar a modalidade. Depois, quando a coisa se espalha, surge a ideia de se criar uma entidade que organize eventos para estes praticantes. Daí, forma-se associações e as federações. Estas entidades vão precisar de filiados, correto? Elas vão mostrar ao instrutores, professores e mestres (que já realizam o seu próprio trabalho) as vantagens de se associarem. Uns vão querer entrar e outros não. Normal. Caberá à entidade mostrar a estes professores e mestres as vantagens em levar seus praticantes a se filiarem. Isso é o normal, correto e o que está na Lei do país. Não pode ser diferente.
Mas no Brasil é diferente. As federações criam regras que obrigam os que ensinam a se filarem e a submeterem seus alunos a banca examinadora destas federações. Os dirigentes se acham acima do bem e do mal. E pior, os instrutores, professores e mestres, mesmo achando errado, se submetem, por medo. Temem que a federação faça algo que os impeça de continuar ensinando.
Eu diria aos instrutores, professores e mestres de todo o Brasil: ninguém pode impedir você de ensinar taekwondo. Se alguma entidade tentar fazer isso, entre com um processo contra ela e saiba que você vai ganhar um bom troco de indenização por dano moral e material. Diria mais: deem uma banana a estas entidades que quiserem impor a vontade delas a vocês. Se não for vantajoso para o seu grupo, saia fora. Eles não vão poder fazer nada, pois a Constituição do país protege toda atividade não estabelecida em lei. Façam o seu trabalho de forma independente. A menos que você não consiga viver sem competir nos estaduais destas entidades. Aí, meu amigo, se a o taekwondo marcial não é o mais importante, se submeta aos ditames destes dirigentes e boa sorte.

Minha sugestão é que cada mestre tente se registrar diretamente à Kukkiwon, realize seus exames de faixa e registre seus atletas diretamente lá, como fazemos aqui no Rio de Janeiro na Escola Highway One. Dai, no dia que aparecer um dirigente que passe a cumprir a lei e compreenda que é ele quem precisa de você e não o contrário, registre-se.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Comitê Executivo da WTF proporá mudanças nas regras de pontuação das lutas

O Comitê Executivo da Federação Mundial de Taekwondo irá apresentar na próxima Assembleia Geral da entidade uma proposta de mudança nas regras de pontuação das competições de taekwondo.
A ideia é diminuir as dificuldades que atletas mais baixos estão vivenciado com a regra atual. A proposta de mudança é a de que aos chutes giratórios no tronco sejam dados três pontos. O restante continuaria da mesma forma: 1 ponto para chutes simples no tronco, 3, para chutes simples no rosto e 4, para chutes giratórios no rosto.
Nesta reunião, também foram apresentadas outras duas proposta de mudanças. Mas que acabaram vencidas pela sobredita. Uma delas sugeria que, além dos 3 pontos com giro no troco, o atleta conquistasse 5 pontos se acertasse o chute rodado na cabeça. E uma outra que daria os mesmos 3 pontos para o chute rodado no tronco, porém, o chute simples no rosto passaria a valer apenas 2 e o rodado na cabeça, 4.


Fonte: MasTaekwondo.com

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Highway One certifica faixas pretas com Diplomas da Kukkiwon

Marcus Rezende

A Escola de Taekwondo Highway One, dirigida pelo mestre Ricardo Andrade, realizou na última quarta-feira, dia 01 de Outubro, a entrega dos certificados internacionais do Quartel General Mundial do Taekwondo (Kukkiwon).
Este foi um dia muito esperado. Fazia tempo que o mestre Ricardo desejava entregar a cada faixa-preta da escola, o diploma internacional reconhecido no mundo todo.
      Ao centro, encontro-me ao lado do mestre Ricardo Andrade contribuindo para o desenvolvimento do Escola de Taekwondo Highway One 

A Escola HO - que há muito tempo desenvolve um trabalho independente desatrelado da Federação de Taekwondo do Estado do Rio de Janeiro e também da Confederação Brasileira de Taekwondo, - tem procurado desenvolver com seus alunos caminhos voltados para o aperfeiçoamento das técnicas marciais. Mesmo assim, não deixa de lado o aspecto competitivo. Ricardo foi técnico da Seleção Brasileira por sete anos. Mas na seara das competições ele já não quer mais de meter a colher. O mestre niteroiense tem, já há algum tempo, jogado esta responsabilidade para seus alunos mais graduados: o mestre José Paulo Gurgel e Sérgio Garritano.
A HO, há muito tempo, não participa de competições no Rio de Janeiro. Todavia, no último domingo, dia 28 de Setembro, depois de bastante tempo, levou seus alunos ao Meeting de Taekwondo do Rio de Janeiro. Competição organizada pelo mestre carioca Evandro César e que cumpriu competentemente sua 10ª Edição. É um evento muito bem organizada e que vale a pena participar.

Eu, como supervisor desta escola, tenho enorme orgulho de a ela pertencer. Junto com o mestre Ricardo Andrade tenho procurado desenvolver ideias que melhorem o aprendizado desta nobre arte marcial. E o mais gratificante é receber o reconhecimento de quem participa desse grupo, em Niterói, no Rio de Janeiro.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Instrutores, professores e mestres precisam se mobilizar para impedir que destruam as artes marciais

Marcus Rezende

Foto: Onofre Agostini, relator do projeto que  fará CREFs, Federações e Confederações mais ricos                                                                                                                                                                           
                                                                              

Ao que  parece, para o Conselho Federal de Educação Física e respectivos Conselhos Regionais pouco importa se as artes marciais no Brasil vão morrer com a aprovação do Projeto de Lei 7890/2010 que já tramitou e foi aprovado na Comissão de Turismo e Desporto e agora espera aprovação na Comissão de Trabalho. Importa, sim, obrigar aos que quiserem ensinar artes marciais a pagarem anuidade e mensalidade a tais Conselhos.
O deputado Federal Onofre Agostini é o relator do projeto draconiano que, se aprovado nesta outra Comissão, vai entregar as artes marciais brasileiras aos homens que comandam os CREFs, Federações Estaduais e Confederações de artes marciais. Será uma maná para poucos.
A coisa está muito bem arranjada para que os dirigentes das lutas marciais acabem apoiando este absurdo. Isso porque a eles será dado o poder de certificar os faixas-pretas que vão ensinar e ainda vão poder examinar os alunos de todos os mestres do estado que presidem. É ou não um prêmio de loteria? 
Tais entidades desportivas terão uma força desproporcional. A coisa é tão sem sentido, que pelo relatório de Onofre, até a figura da associação deixa de fazer diferença. Só vai servir mesmo para manter no poder os reforçados presidentes das entidades desportivas.
Vamos aos absurdos do projeto que os professores de artes marciais vão ter que engolir, se não se mobilizarem rapidamente para impedir que ele seja aprovado nesta Comissão. É preciso união para levar o projeto monstro ao plenário da Câmara e não deixá-lo ser votado por poucos parlamentares. 
Então vamos lá:
Art. 4º - Trata do sujeito que será faixa-preta. Ele o será por meio de certificação de federação ou confederação. Ou seja, ninguém chega mais a faixa-preta pela escola que treinou, mas sim por mãos de dirigentes.
Art 5º – Por este artigo, vai acontecer o enriquecimento de alguns. Para ser instrutor, professor ou mestre para poder ensinar o que aprendeu terá de receber da federação ou confederação a permissão. Associação não vale; foi retirada do texto. Essa federação precisa estar filiada à Confederação (que eles chamam de oficial). Não pode ser qualquer uma. Tem que ser aquela entidade que, provavelmente, esteja apoiando a aprovação deste projeto de malucos. Neste artigo, a caixinha de maldades continua: o pobre do instrutor, professor ou mestre em artes marciais terá de apresentar qualificação acadêmia em Educação Física.
Aí, depois que ele se formar, será jogado aos leões famintos das entidades de administração: federações e confederações. Será sabatinado por banca examinadora, formada por mestres com notável reconhecimento. O dirigente Presidente é quem provavelmente vai escolher aqueles que vão levar os honorários de exames de faixa etc, pois a lei desportiva anacrônica facilita a perpetuação destes presidentes dentro das entidades E os Conselhos, ao que parece, assim o querem.
Não adianta o grande mestre de artes marciais achar que pode dar um seminário sobre a modalidade. Isso também será considerado exercício ilegal da profissão se ele não tiver nas condições expostas acima.
O art 6º é pra reforçar. Só pode ensinar quem se enquadrar no que já está escrito acima.
O art 7º é o floreamento do texto escrito por quem não sabe o que é suar o quimono para aprender uma técnica refinada de uma arte marcial. Aí, ele faz retórica de como o ensinamento da modalidade deve ser realizado. Sabe aquele papo de: ministrar...organizar...planejar...? Eles vão permitir que se realizem em praças públicas seminários, simpósios e demonstrações. Afinal de contas é preciso propaganda para que os abençoados tenham alunos.
Mas o art.8º só permite o ensino da arte marcial em ambientes fechados e com equipamentos apropriados. Os capoeiristas vão adorar não poder mais realizar suas aulas ao ar livre.
O art. 9º fala dos requisitos para o funcionamento do local de treinamento. Na verdade é uma intimidação aos proprietários de academias: Está escrito que o ensino fica a cargo de profissional habilitado na forma da lei e PORTADOR DE CERTIFICADO EM EDUCAÇÃO FÍSICA. Ou, ou...olha só a brincadeirinha para, quem sabe, ganhar o dinheirinho daqueles que notadamente não irão fazer curso superior. Ele será reconhecido como PROVISIONADO. Que palavra bonita. Tem mestre de taekwondo que adora receber este título. É como se dissessem assim: “Tudo bem, cara...Já que você não tem como fazer curso superior, faça o seguinte...vamos te dar um cursinho de dois anos e aí você sai com o título de provisionado e pode dar aula. Mas não se esqueça de beijar a mão do seu presidente, hein; senão a gente te exclui”.

O art 10º é aquele que joga a culpa de tudo no instrutor, professor ou mestre. Mesmo certificado e registrado nas entidades, se errar, que se vire com a Justiça. 

Veja a íntegra de toda esta celeuma, mas se detenha a partir da página 9, no relatório de Onofre Agostini

Veja aqui

  Se você leitor, conhece algum deputado federal, faça contato com ele para que impeça a aprovação deste absurdo que as artes marciais no Brasil não merecem passar.

10ª edição do Meeting de Taekwondo do Rio de Janeiro: SUCESSO

Marcus Rezende

   A 10ª edição do Meeting de Taekwondo do Rio de Janeiro, realizado na Associação atlética do Banco do Brasil (AABB-Lagoa), neste domingo, dia 28, organizado pelo mestre Evandro Cesar Cordeiro, foi um sucesso. A competição primou pela organização e pela competência do grupo de arbitragem comandada por Fernando Uchoa.
Apesar de o término do evento ter saído um pouco do horário previsto, o clima estava tão bom, que isso não incomodou, pois as lutas seguiam de forma muito dinâmica. 
Na oportunidade, Evandro fez questão de fazer algo que dificilmente se vê em outras competições Brasil afora. A cada mestre presente ao evento e detectado pelo organizador, ele chamava à frente da mesa de controle, tecia palavras elogiosas a ele e o presenteava com um troféu de Personalidade do Taekwondo.
  Alguns dos mestres e grão-mestres presentes ao Meeting: Em pé da esquerda para direita: Renato Ribeiro, Antônio Oliveira, Reinaldo Evangelista (Pelé), eu, Hernandes Marques, Ricardo Andrade, Edilberto Moraes. Sentados: João Henrique e Yong Min Kim

Invejável também a forma com que trabalharam em prol do sucesso do Meeting os alunos mais antigos de Evandro e campeões pan-americanos de poomsae Manoela Pontual e Márcio Losada.
   O evento contou também com a presença do ex-presidente da CBTKD, grão-mestre Yong Min Kim.

Ponto negativo: ficou por conta da Federação de Taekwondo do Rio de Janeiro, que, mesmo ciente da data do evento com um ano de antecedência, marcou a 5ª Etapa do Estadual para o mesmo dia. É lamentável que uma entidade atue de forma a afastar seus praticantes acreditando que as academias e associações não possam ter vida própria sem ela.

sábado, 27 de setembro de 2014

Conhecendo melhor nossos dirigentes e onde eles querem chegar

Marcus Rezende


Semana passada o mestre Jair Queiroz, de Londrina (PR) contactou-me pedindo que publicasse no blog uma retratação dele ao Presidente da Federação Paranaense,  técnico da Seleção Brasileira de Taekwondo e hoje candidato a Deputado Estadual pelo estado do Paraná, Fernando Madureira.

Tratava-se de um artigo que Jair publicara em 2012 no site Taekwondonews de nome: “SIM, TÔ FELIZ”. Jair, baseando-se no que havia sido noticiado pela imprensa e em nota oficial da CBTKD (de que Madureira havia sido demitido como técnico da Seleção Brasileira) escreveu que o técnico estava recebendo sem trabalhar. Como o fato não ocorrera na esfera administrativa, Madureira ingressou com uma ação civil contra o mestre paranaense e o Juiz da 6ª Vara Civil de Londrina, Abelar Baptista, entendeu que Jair tinha de se retratar publicamente. Além desse ponto, pediu retratação sobre o que escreveu em relação ao campeonato Brazil Open de Taekwondo, organizado ano a ano por Madureira. Jair disse que Madureira estava se beneficiando da influência do Presidente da Confederação Brasileira de Taekwondo e descumprindo regras do ranking nacional.
De minha parte, achei um enorme exagero do atual candidato a deputado. Isso porque homens públicos precisam estar preparados para questionamentos, mesmo que, às vezes, tenham certa dose de imprecisão. E no caso em tela, não consigo enxergar um dano moral tão grave para mover a máquina judiciária do estado do Paraná. Mas enfim, cada um sabe onde o calo aperta.
Entretanto, em meio a este imbróglio das partes, o advogado de Madureira solicitou (e o juiz acatou) que Jair providenciasse a retirada do texto do ar e que fizesse a retratação em algumas mídias, entre elas o meu blog. Mas por que o meu blog se eu não publiquei nada? Isso é honesto? Pergunto ao senhor Fernando Madureira, que quer assumir cargo de deputado estadual. Não seria mais correto dizer ao magistrado que o meu blog nada tem a ver com o caso?
No primeiro momento, enviei resposta a Jair dizendo que não publicaria. Mas pensei melhor, e em respeito ao leitor do meu blog, vou publicar a sentença e a retratação, para que democraticamente façam juízo do caso.

SENTENÇA

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Monstro pode destruir as artes marciais no Brasil

Marcus Rezende


Quando achávamos que estávamos livres dos CREFs e dos dirigentes taekwonsditas puxa-sacos de plantão, que lutam para entregar o taekwondo aos Conselhos Regionais de Educação Física, eis que surge uma nova proposta na Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados para substituir uma outra ideia mal pensada, de 2008, do Deputado Marcelo Itagiba. Um verdadeiro monstro que pode destruir as artes marciais no Brasil.
Em Agosto do ano passado, o deputado Onofre Santo Agostini, (PSD-SC), conseguiu aprovar nesta Comissão uma proposta com novas regras para o ensino das artes marciais no Brasil. É um substitutivo ao Projeto de Lei 2.889/08, do Deputado carioca, apensado a mais seis propostas do mesmo teor, dos deputados Chico Alencar, Luciana Genro, Rogério Peninha Mendonça, Walter Feldman, Acelino Popó e Roberto Santiago.
De forma resumida, a ideia de Itagiba, de 2008, é a de criação de um Conselho Federal e de Conselhos Regionais de Artes Marciais, apoiados pelas entidades de administração de cada arte marcial. O deputado Onofre pegou o Projeto e as propostas dos outros deputados e o piorou. 
 Ou seja, de forma bem chula, ao professor de artes marciais restará o velho: OU DÁ ou DESCE! Ou você se registra aos Conselhos, às entidades de administração, faz curso de educação física ou então não vai poder ensinar artes marciais. Não importa o quanto treinou e domina as técnicas. Só vai poder repassar o que sabe, se seguir as regras, as quais, sob a alegação de protegerem à sociedade de maus professores de artes marciais, no fundo visam garantir o controle destes profissionais e, logicamente, auferir uma boa grana em cima do trabalho deles.
Para piorar, estes deputados – os quais provavelmente nunca praticaram artes marciais, exceto o Popó que foi o nosso grande campeão de boxe – querem que os conselhos deem carta branca às entidades de administração. Ou seja, todo o poder aos Presidentes.
Pra se ter uma ideia da ameaça que paira sobre a cabeça dos professores e mestres, pela proposta de Chico Alencar e Luciana Genro, as associações ou federações é que vão dizer se o faixa-preta está apto ou não a ensinar. Se o Chico conhecesse, por exemplo, a estrutura das federações de taekwondo do Brasil, jamais proporia isso. Dessa forma, a Escola daquele praticante perde a credibilidade e passa a pedir benção aos homens das entidades de administração daquela modalidade marcial. Que beleza!!! Veja se tem cabimento?
O deputado Walter Feldman vai além. O sujeito para ensinar tem de passar por um curso de formação de dois anos promovido por instituição de ensino de renome. Olha a grana sendo tirada do bolso do pobre do professor.
De acordo com o que propôs o deputado Roberto Santiago, a certificação de faixa preta seria dada por organizações estaduais e a entidade federal. O mestre original do praticante que vá catar coquinho em outro lugar. Uma excrescência.
Ou seja, querem criar um Conselho novo, paralelo ao Conselho Federal de Educação Física - CONFEF -, porém, utilizando-o para realizar cursos de formação. Uma beleza...não é verdade? Todo mundo sai ganhando. Menos o pobre do professor de artes marciais.
Mas o MONSTRENGO quer ir além. O sujeito, além de precisar receber o aval das entidades, terá de ser formado em educação física e no capítulo que tange aos exames de faixa, o professor deve manter as entidades informadas. Além disso, o examinador precisa possuir cursos básicos de anatomia humana e primeiros socorros. O exame de graduação deve, pasmem, privilegiar a “formação humanística, o caráter e o espírito de cidadania, de sociabilidade e de solidariedade e saúde física e o equilíbrio psíquico dos praticantes”.


Os professores de artes marciais precisam se mobilizar para impedir este absurdo. Estão criando uma arapuca e muitos vão perder e poucos vão ganhar muito!!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Brasil sai do México com saldo positivo na luta e no Poomsae

Foto: Equipe brasileira de Poomsae, comandada pelo meste Evandro César (esquerda) - foto retirada do perfil do mestre Evandro César


Depois de uma participação ruim do Grand Prix de Astana, no Cazaquistão, há duas semanas, o Brasil consegue uma boa colocação no Campeonato Pan-americano de Taekwondo, realizado entre os dias 12 e 14 de Setembro, em Aguascalientes no México e fica na terceira posição. 
Foram duas medalhas de Ouro (Guilherme Félix, acima de 87 Kg e Iris Tang Sing, até 46 kG); três de prata (Júlia Vasconcelos, até 62 Kg, André Bilia, até 80 Kg e Lucas Ferreira, até 87 Kg) e três de Bronze ( Guilherme Dias, até 58 kg, Josiane Lima, até 57 kg e Ana Carolina Farias, até 67 Kg). Destaque para André Bilia que eliminou o pentacampeão mundial e bi Olímpico Steven Lopez. Foi batido na final por um placar apertado de 8x7.
O México foi o grande Campeão com seis medalhas de Ouro, três de Prata e quatro de bronze.
O próximo compromisso dos atletas brasileiros será a terceira etapa do Grand Prix, em Manchester, Inglaterra, na última semana de Outubro.

melhor ainda foi a participação dos atletas de poomsae do Brasil no também Campeonato Pan-americano da categoria, na mesma cidade mexicana.  Márcio Lousada, Manoela Pontual levaram duas medalhas de Ouro, cada um, no individual  e na Dupla. Renato Ribeiro também levou a medalha de Ouro no individual e Moyses Takanohashi ficou com a medalha de prata na categoria acima de 65 anos. O mestre Evandro Cesar, do Rio de Janeiro, foi o técnico da equipe.


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Lutadores altos formam a nova elite do taekwondo mundial

Marcus Rezende


Tem sido generalizada a opinião de que atualmente o taekwondo competitivo passou a ser um esporte para atletas altos. Entre tantos fatores que também me fazem cada vez mais acreditar nessa tese estão o controle da distância, os movimentos de primeiro tempo com a perna da frente e, obviamente, os resultados das principais competições internacionais dos últimos anos.
Trata-se de um taekwondo desenvolvido em altíssimo nível por atletas que chegam a mais de 1:80 cm de altura e que não ultrapassam os 58 quilos de peso. Tudo adicionado às técnicas de uso dos coletes eletrônicos.
Estes gigantes magrelos facilmente atingem tronco e cabeça de atletas mais baixo, cujos destinos nas competições de alto nível têm sido sucumbirem quase sempre em meio a escoras e a boa manutenção da distância. Porém, isso não significa dizer que eles não possam ser atingidos.
Quem poderia imaginar, por exemplo, na década de 1980, que um peso pesado de boxe com 1,80 de altura fosse se tornar o maior fenômeno de todos os tempos. Estou me referindo a Mike Tyson, que de forma avassaladora, aos 18 anos de idade, passou a derrubar todos os oponentes que se punham à frente dele. Ele pendulava ofensivamente para cima de seus adversários, fugia dos jabs e, a curta distância, despejava em altíssima velocidade golpes que, no mais das vezes, vinha de baixo para cima e atingiam o queixo dos oponentes.
No Taekwondo, no entanto, um atleta baixo, que queira vencer adversários altos e talentosos, vai precisar subverter todo o conceito de treinamento e aprimorar, por exemplo, os giros na intenção de furar os bloqueios defensivos, tais como o da perna erguida à frente, e, dessa forma, tentar atingir o rosto destes varapaus. Isso porque a cada êxito de um chute demolidor, visando o queixo ou a cabeça, se não conquistar o nocaute, no mínimo, compensará o esforço com 4 pontos.
Sendo assim, na programação de treinamento destes atletas mais baixos, seria preciso que atentassem os treinadores e atletas para o quanto perdem de tempo treinando técnicas que não vão conseguir utilizar frente a tais oponentes.
E da forma que estão configuradas as regras, o taekwondo enquanto esporte de alto rendimento continuará a beneficiar os atletas mais altos. Portanto, tal situação pode nos levar a inferir não valer mais a pena (enquanto professor, mestre ou treinador profissional) iludir atletas baixos e dizer a eles que estão em condições de igualdade com os mais altos na busca de títulos mundiais ou olímpicos. A tarefa é muito árdua aos menos dotados de altura. É preciso que se use da honestidade com estes praticantes, para que não se frustrem.
Os treinadores brasileiros, por sua vez, precisam ser mais criteriosos e trabalhar com a realidade atual, para não perderem o próprio tempo e o do praticante.

Portanto, nesta toada, podemos chegar a conclusão de que o taekwondo competitivo está mais excludente do que antes. Ele vem servindo a poucos. Dessa forma, vale mais a pena investir em um trabalho marcial do que competitivo. Aos baixinhos que, mesmo assim, se convencerem de que dá pra insistir no sonho de se tornarem campeões internacionais, seja um demolidor.  

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Abafa o caso

Marcus Rezende


Findada a segunda série do Grand Prix de Taekwondo que ocorreu em Astana, no Cazaquistão, entre 29 e 31 de Agosto, o saldo para os oito brasileiros presentes ao evento (Márcio Wenceslau, Guilherme Dias, Diogo Silva, Guilherme Félix, Hellorayne Paiva, Henrique Precioso, Iris Tang Sing e Júlia Vasconcelos) não foi bom, pois somente Márcio foi à segunda luta. Os demais sucumbiram logo no primeiro combate.
Como se não bastasse, pra piorar, a CBTKD faz silêncio sobre o fato de três destes atletas não terem lutado. Fomos em busca das informações e verificamos que o mais bem posicionado no ranking mundial, o brasiliense Guilherme Dias (da categoria até 58 Kg), que enfrentaria o chinês Huang Cheng Ching, aparece na chave derrotado por desistência.
Fato estranho que mereceria da entidade uma notícia a todos os torcedores brasileiros. Fomos então em busca delas fora do país, pois por aqui a omissão das informações tornou-se prática comum no mundo da Nova CBTKD. E o que soubemos extraoficialmente é que Guilherme Dias não teria passado na pesagem e que Diogo Silva (que enfrentaria o belga Jaouad Achab) não teria lutado por conta de uma lesão.
Porém, o mais absurdo foi o que aconteceu com a atleta peso pesado, Hellorayne Paiva, cujo nome simplesmente não constava na relação dos convidados a lutar em Astana. Ou seja, a atleta nem deveria ter viajado. De quem foi o erro? Da CBTKD que teria prestado informações equivocadas à atleta? Ou da atleta carioca que, mesmo na 63ª do ranking olímpico, não procurou antecipadamente saber se poderia lutar nesta segunda série?
Se forem verdadeiros os fatos, estaremos diante de algo inteiramente inaceitável, já que as despesas dos atletas foram custeadas com recursos da Petrobrás e da Lei Piva. Cabem ao COB e à empresa pública cobrarem informações a respeito do que realmente ocorreu com estes atletas.
Sobre esta competição, uma das mais importantes do calendário internacional, a CBTKD só noticiou a chegada da delegação ao Cazaquistão.
Depois, só silêncio.


sábado, 23 de agosto de 2014

A incrível história de Grilo Bryan Falante

Marcus Rezende

Qualquer semelhança com personagens da vida real é mera coincidência.
Era uma vez um grilo Bryan falante que resolvera comandar um grupo de grilos que praticavam o salto em distância. Estes grilos eram comandados, há muitos anos, por um velho grilo, responsável pela implantação da modalidade no Reino dos Grilos. Mas a falta de ideias deste velho dirigente vinha deixando os grilosdesportistas do salto em distância descontentes.
Sem muita dificuldade, o grilo Bryan falante expulsou o velho grilo e tomou o poder. De quebra, reuniu um conselho de outros grilos subservientes e expulsou aqueles que se opuseram às suas primeiras decisões.
Era uma época em que o Rei dos Grilos havia resolvido apoiar os saltadores. Ele estava disposto a liberar um apoio financeiro de mais de 10 milhões de CriCris, moeda corrente naquela comunidade. O grilo Bryan falante procurou um dos melhores grilo-juristas da região e propôs a ele um contrato CriCrimilionário para que o defendesse das armações que já planejava perpetrar ante os valores que receberia.
Cercou-se também de pseudos-grilosempresários. Um deles forneceria um solado de visgo importado para os grilos saltadores, fundamental para o treinamento e aperfeiçoamento da marcação dos saltos.
Este griloempresário revendia este equipamento normalmente por Mil CriCris. O grilo Bryan falante precisava de 500 jogos, e pediu que o griloempresário os vendesse por 3 Mil CriCris, cada um. O griloempresário abriu um olhão e logo o questionou. “Mas grilo Bryan falante, isso é de um primarismo abissal. Esse tipo de jogada já é muito conhecida e perigosa. Os grilos políticos faziam isso antigamente e hoje já sofisticaram o modo de superfaturar...”
Mas o grilo Bryan falante não quis saber de conversa. “É pegar ou largar...Se não quiser, arrumo outro griloempresário que faça a jogada”. Sem opção, o griloempresário aceitou a incumbência e vendeu os jogos pelos CriCris acertados.
Grilo Bryan falante ao receber o material, como antigo saltador que era, saiu pulando de folha em folha, entregando aos grilosdesportistas da comunidade o material que tanto eles precisavam. De um lado a outro se ouvia:
“Esse Grilo Bryan falante é fera, mesmo. Viu... até hoje ninguém fez o que esse grilo fez pelos grilos saltadores desta comunidade”...
Mas de uma coisa o Grilo falante não sabia. No Reino dos Grilos havia uma maldição para todo aquele que usasse desonestamente CriCris ofertados pelo Rei do Reino dos Grilos. O CriCri desonesto fazia o grilo usurpador cair em desgraça de uma forma ou de outra.
E a maldição iniciou-se com a griladoria federal, guarda do Reino que fiscalizava a utilização de CriCri público. As diversas jogadas do grilo Bryan falante começaram a ser descobertas. Grilos mais chegados a ele começaram a pular feito loucos, tentando não cair nas garras da griladoria.
Todavia, grilo Bryan falante não dava o braço a torcer e dizia a todos em alto em bom som: “A griladoria vai perder é tempo. Tudo o que eu faço em favor dos grilos saltadores está correto. Toda essa palhaçada esta sendo orquestrada por grilos expulsos da comunidade. Além do mais, meus grilo-juristas ganham tudo pra mim. Estou tranquilo”.

Um belo dia, ao chegar à sede dos Grilos AsSaltadores, deparou-se com a solidão, pois os grilos puxa-sacos haviam roído a corda e, literalmente, pulado fora.   

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Juiz diz que CBTKD fraudou estatuto

Marcus Rezende

O Juiz Gustavo Quintanilha da 6ª Vara Civil do Rio de Janeiro decidiu por anular a reforma do Estatuto da CBTKD, promovida pelo atual presidente da entidade, senhor Carlos Fernandes, em Novembro de 2011.
Sendo assim, pela decisão,  a CBTKD tem 30 dias para reunir seus filiados em nova Assembleia e sanar os vícios decorrentes deste Estatuto, considerado ilegal, sob pena de ter de pagar R$ 50 mil à Federação de Taekwondo do Estado de Minas Gerais, autora da ação.
O Juiz reconhece a ilegalidade decorrente da famigerada Assembleia Geral Extraordinária de 11 de Novembro de 2011; o estatuto registrado não foi o mesmo votado nesta AGE. “Observa-se que a parte ré cometeu fraude ao registrar o estatuto...”, confirmou o magistrado, acrescentando que por ser um documento particular, “inserir nele informações inverídicas, adulterando seu conteúdo e fazendo constar decisões que nunca ocorreram , é fraude; e os que a praticaram podem responder por isso civil e criminalmente”.
O Juiz acha lamentável a CBTKD querer defender o sigilo dos e-mails solicitados pela FETEMG. “As informações são do interesse de todos os filiados”. Quintanilha considera que ficou evidente que os gestores da entidade deliberadamente decidiram adulterar o documento, antes de registrá-lo. E acrescenta: “...acharam que passariam despercebidas – aumentando seus poderes , reduzindo direito dos filiados e tornando as regras diferentes do que desejava a maioria”.
Uma das esdrúxulas modificações neste estatuto, perpetradas pelo senhor presidente, foi a de impor que somente brasileiros natos poderiam concorrer ao cargo de presidente da entidade. Sobre este absurdo, o magistrado assinalou: “Lembro aos dirigentes da CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE TAEKWONDO que quem decide quem é brasileiro e quais são seu direitos é Constituição da República do Brasil e as leis, e não eles”.
E finaliza a antecipação de tutela em favor da FETEMG intimando pessoalmente o senhor Carlos Fernandes a cumprir a decisão sob pena de responder por crime de desobediência, se deixar de providenciar todos os atos para o cumprimento da decisão. A CBTKD ainda foi condenada a pagar as custas judiciais e honorários de sucumbência em 10% do valor da causa

sábado, 16 de agosto de 2014

Descobrindo um renascer para o taekwondo do Brasil

Marcus Rezende




O jornal O Globo publicou nesta sexta-feira, dia 15 de Agosto, uma matéria em cujas linhas se apresentam as graves suspeitas de falcatruas dos homens que comandam a Confederação Brasileira de Taekwondo. E o alvo principal de toda esta engrenagem é o presidente da entidade, Carlos Fernandes.
Nesta matéria, o jornalista Antônio Werneck, do Jornal O Globo, se debruça sobre provas dos dois inquéritos da Polícia Federal contra a entidade que comanda o taekwondo brasileiro e joga a primeira pá de cal das muitas que provavelmente sepultarão uma gestão que nem deveria ter começado.
O Globo apresenta a história da empresa Renascer Atacadista Distribuidora LTDA, com sede em Bonsucesso a qual participou e venceu uma licitação para aquisição de placas de áreas de competição. Cada uma delas custou a bagatela de R$ 96. Foram compradas 4.500. Façam aí as contas. As investigações demonstraram que no mercado brasileiro elas podem ser encontradas por R$ 40 e na Coreia, por exemplo, por US$ 8 (cerca de R$ 18).
Apesar de a CBTKD negar qualquer envolvimento com tal empresa e que a Renascer venceu a licitação porque apresentou o melhor preço, o certo é que quando a coisa for aprofundada, muito se terá de explicar.
O quebra-cabeça vai se formar à medida que os nomes de todos os envolvidos começarem a aparecer. Por exemplo: quem responde por esta empresa? Que relação os sócios dela têm com membros da entidade? Então é assim? Uma empresa de bebidas e alimentos entra no site da entidade, no link dos editais, e resolve participar de uma licitação para a compra de pisos de competição? Como é isso?
O Delegado Federal, Tácio Muzzi, que investiga o caso, ao que parece, tem tudo bem amarrado para comprovar as suspeitas de fraude nesta e em outras licitações da CBTKD.
A matéria de O Globo, certamente pautará outras mídias que darão ao caso uma maior repercussão. E isso pode acelerar uma decisão de afastamento preventivo do presidente da entidade.

Veja a matéria de O Globo

E neste Domingo a partir das 7 da manhã, no SporTV 3, Taekwondo nos Jogos Olímpicos da Juventude

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Erro repetido por mestres brasileiros

Marcus Rezende

Quando os mestres coreanos chegaram ao Brasil, nos anos de 1970, Chong Hong Hi (que presidia a Federação Internacional de Taekwondo) e que idealizou a chegada destes mestres a diversos países do mundo, deixou definida uma ideia de como deveriam proceder no que se refere ao recebimento de taxas de exames de faixa - pensando em um futuro mais tranquilo a estes instrutores.
A orientação básica era a de que - a partir do momento em que surgissem os primeiros instrutores brasileiros – deveriam repassar a eles parcela destes honorários.
Choi idealizou uma tabela de 30, 40, 50, 60, 70, 80, 90 e 100%, do 1º ao 8º dan, respectivamente. Ele fez isso sob a premissa lógica de que os coreanos não teriam a mesma saúde para ensinar, quando tivessem com 60 e 70 anos e que precisariam criar uma cadeia moral indissolúvel que assegurasse uma espécie de aposentadoria àqueles que depois de muitos anos não teriam mais saúde para tanto esforço.
Como isso deveria ocorrer? Nos primeiros anos, os coreanos receberiam 100% de todos os exames de seus próprios alunos. Ao formarem os primeiros faixas pretas (1º dan) passariam a receber 70% do total das taxas de exame dos alunos de seus faixas pretas. Assim, quando estes faixas-pretas brasileiros chegassem ao 2º dan, o mestre coreano passaria a ganhar dele 60%. Isso já poderia ter ocorrido a partir de 1973.  Mas só foi acontecer no final dos anos de 1980 e de forma totalmente desordenada e sem um propósito lógico.
Para um melhor entendimento da proposta criada por Choi e que não foi implementada no Brasil, imaginemos um de nossos grão-mestres coreanos 9º dan, com 20 alunos brasileiros 7º Dans. Vamos pensar apenas em um deles, o qual hipoteticamente possuísse um aluno 5º dan que, por sua vez, também tivesse um aluno 4ª Dan; e este último um 1º Dan.
Pensemos então na hipótese deste menos graduado levar para um exame de faixa uma quantidade de alunos, cujo valor total das taxas totalizasse R$ 10 mil. Como seria essa divisão, em meio a esta cadeia de professores, mestres e grãos mestres? O 1º dan receberia 30% (R$ 3 mil). Sobrariam R$ 7 mil. O professor dele, 4º Dan, ficaria com 60% do que sobrasse (R$ 4.200). Sobrariam R$ 2.800. O professor seguinte, que no exemplo hipotético é o 5º dan, auferiria 70% da sobra (R$ 1.960). E o restante deste montante (R$ 840) iria para o velho mestre, o último da cadeia. Pouco? Pense no seguinte: este seria apenas um braço desta cadeia. Quantos braços nossos grãos mestres coreanos criaram ao longo destes mais de 40 anos de taekwondo no Brasil?
Ou seja, aquele primeiro coreano introdutor do taekwondo, hoje idoso, que formou diversos outros grão-mestres, teria, todo mês, percentuais pequenos de diversas cadeias de mestres formados por ele ao longo dos anos. Pense...em uma cadeia norteada pela moral desde o início, quem teria coragem de quebrar com a ética? Quem deixaria de separar para o velho mestre aquele percentual pequeno de sua cadeia? Dificilmente alguém quebraria tal pirâmide do bem.

Mas isso não ocorreu. O imediatismo prevaleceu. E qual o cenário hoje? Os velhos coreanos com grupos espalhados sem a unidade idealizada por Choi e cada qual realizando o seu próprio trabalho, cometendo os mesmos erros dos velhos introdutores, como se a velhice não fosse chegar um dia a eles também.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Contragolpe da Polícia Federal na CBTKD

Marcus Rezende
A manhã desta terça-feira, dia 22 de Julho de 2014, nunca mais será esquecida pelo presidente da Confederação Brasileira de Taekwondo, Carlos Fernandes. 
Com três mandatos de busca e apreensão, a Polícia Federal adentrou em três endereços ligados à entidade desportiva nacional para recolher documentos que comprovem a suspeita de fraudes em licitações realizadas pela entidade. São dois inquéritos que investigam desvio de dinheiro público. Um deles, relativo a um convênio com o Ministério dos Esportes, os recursos ultrapassam R$ 3 milhões. O valor teria como destino a “modernização da infraestrutura de equipamentos e materiais para a realização de treinamentos e competições visando à preparação dos atletas para os Jogos do Rio/2016”.

Com o nome bem sugestivo de Operação Contragolpe, a PF vai tentar provar a malversação destes recursos. E pelo histórico de suspeições desde 2011, acredito que não será muito difícil demonstrar à Justiça Federal a podridão dos bastidores desta entidade tão importante aos taekwondistas brasileiros, mas que, no entanto, está tão mal administrada.

É importante frisar que toda a investigação da PF foi subsidiada por levantamentos realizados ao longo de alguns anos por diversas pessoas ligadas direta e indiretamente ao taekwondo. Muitas das quais foram injustamente afastadas e impedidas de participarem dos eventos organizados pela entidade.

Dados retirados das notícias abaixo
ESPORTES TERRA
 http://esportes.terra.com.br/lutas/pf-cumpre-mandados-de-busca-na-confederacao-de-taekwondo,823dab43eef57410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html
O TEMPO
http://www.otempo.com.br/superfc/pf-investiga-desvios-na-confedera%C3%A7%C3%A3o-de-tae-kwon-do-1.887520

sábado, 3 de maio de 2014

Sala bonita e quarto desarrumado

Marcus Rezende

Escolha uma entidade que administre nacionalmente um esporte olímpico no Brasil, visite o site desta confederação e clique no link DIRETORIA. Com certeza, você terá acesso aos nomes das pessoas que compõem a diretoria daquela entidade

Agora, vá ao site da CBTKD e faça a mesma coisa. Você encontrará: EM ATUALIZAÇÃO. Isso há mais de um ano, salvo engano.
Agora, vá no link “Palavra do Presidente”, tem até foto nova.
Parece implicância e má vontade, mas não é não. Vejam só: digamos que um propenso patrocinador queira conhecer as pessoas que compõem aquele colegiado de administradores. Daí, antes de fazer um contato formal, resolva acessar o site da entidade para conhecer quem faz parte da diretoria. O que vai acontecer? Ele vai se deparar com uma situação, a meu ver, inaceitável e indesculpável. Algo que, de pronto , vai denotar desorganização.
E nessas condições, caro leitor, o patrocinador sequer fará contato, pois é raro uma empresa querer associar o nome dela a uma entidade desorganizada em coisas básicas.
Sendo assim, quando ouvimos algo como: a entidade está indo de vento em popa, percebemos que o discurso se ancora em resultados de abnegados atletas que trabalham duro para o êxito lá fora.
Portanto, encher o papo e dizer que os atletas antes não tinham recursos para viajar e hoje dispõem de todas as condições de translado, estadia e alimentação, não se sustenta mais.
  Os recursos financeiros da CBTKD não são fruto do empreendedorismo do atual presidente. Isso porque a arrecadação ordinária da entidade é pífia e, ainda assim, muito mal fiscalizada pelos dirigentes regionais, os quais nem titubeiam no sentido de pedir para ver os extratos bancários. Se o fizerem correm o sério risco de serem desfiliados no dia seguinte.
Dessa forma, não adianta apresentar uma sala arrumadinha, se os quartos estão em desalinho.

P.S. Provavelmente, depois deste artigo, acordem e coloquem no site os nomes das pessoas que fazem parte da diretoria da Confederação. Quando o fizerem, informo logo abaixo, ok?

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Blog anônimo apresenta denúncias contra presidente da CBTKD

Marcus Rezende

Eis que no dia de hoje, após um exaustivo plantão, abro meu facebook e lá encontro o pedido de amizade do senhor Carlos Luiz Pinto Fernandes, Presidente da CBTKD. Logicamente que, de cara, percebi que só podia se tratar de um Fake. E era.
Ao abrir o falso perfil, verifiquei uma página eivada em denúncias e seus respectivos links comprobatórios. Havia também o endereço de um blog anônimo:
cbtkd-news.blogspot.com.br, o qual repercutia as mesmas acusações.

Na verdade, uma irresponsabilidade de quem resolveu se arriscar tentando repetir o que há pouco tempo foi feito por outro blogueiro anônimo, só que em defesa do senhor Carlos Fernandes. Tal blog atacava a vida pessoal dos adversários políticos do presidente da CBTKD. Eu fui um desses alvos. Porém, nunca liguei; sabia quem mandava escrever.

Mesmo me indignando contra fakes e blogs anônimos, a verdade é que este, diferentemente do outro blog, surge apresentando documentos do que denuncia e dando publicidade de problemas judiciais do presidente. O blog revela um processo criminal do início deste ano, que corre no Terceiro Juizado de Violência Doméstica, em Jacarepaguá, no qual Fernandes é acusado de agressão. O processo é público; tá lá pra qualquer um ver. Mas eu não vou aqui dar número, pois trata-se da vida privada do presidente.
O outro é a apresentação do extrato bancário de toda a movimentação da CBTKD, de Outubro de 2013 a janeiro deste ano. Este, eu achei gravíssimo. São 12 páginas que, de alguma forma, saíram de dentro da confederação para cair nas mãos de alguém aqui fora.

BLOG E FAKE RETIRADOS DO AR. 

quinta-feira, 27 de março de 2014

Receita paraibana para se tornar campeão mundial juvenil

Marcus Rezende

Quando Natália Falavigna, no ano 2000, com apenas dois anos de taekwondo nas costas, colocou na cintura uma faixa preta e viajou para Irlanda para disputar o III Campeonato Mundial Juvenil de Taekwondo, ela estava cumprindo o prenúncio de seu mestre, Clovis Ayres, que lhe dissera dois anos antes: “você será campeã mundial”. E a profecia se cumpriu.

E Natália não precisou de uma entidade ditando normas de treinamento, tampouco de uma Comissão Técnica que hoje é formada por interesses que visam sustentar politicamente o mandatário da entidade nacional. Não. Natália treinou na academia de seu mestre: a “Academia Pequeno Tigre”, em Londrina.

14 anos depois, o exemplo se repete com o jovem paraibano Edival Marques Pontes, que treinado pelo mestre Tomaz Azevedo, dentro da academia AMTKD, mostrou que para ser um campeão mundial basta treinar sério e de forma programada.

Edival possui uma programação física, técnica e tática elaborada pelo treinador. A receita? quatro horas de treino por dia, cinco vezes na semana. Com esses ingredientes, o jovem paraibano conquistou também  o Campeonato Brasileiro por duas vezes; a Copa do Brasil e o Sul-Americano da Juventude.

Tomaz também ressaltou que para chegar ao título mundial, assim como à classificação para os Jogos Olímpicos da Juventude, Netinho (como é chamado na intimidade o jovem campeão) contou com o apoio valoroso de outro grande treinador: o mestre Washington Azevedo, de Brasília, técnico do atleta Guilherme Dias, medalha de bronze no último Mundial.

Washington deu dicas valiosas a Edival de como dar eficácia às técnicas em meio à tecnologia dos protetores eletrônicos. E Edival foi à Capital Federal buscar estes macetes preciosos que o levaram ao título mundial. Agora, imagine se esse garoto possuísse os protetores eletrônicos?

A lição que se tira dessa história é a de que o título deste jovem paraibano, que nem protetores eletrônicos possui (esperamos que a confederação, no mínimo, o presentei com um KIT), serve de alerta para que a CBTKD dê mais atenção aos treinadores brasileiros. Inicialmente, valorizando o trabalho que cada um deles realiza.

E o mais importante: deixar que desenvolvam com tranquilidade a programação de seus atletas, sem a interferência dos técnicos de livre nomeação do presidente, os quais
  ficariam com o trabalho de conhecê-los tecnicamente (para melhor instruí-los na hora da competição internacional) e organizar os treinos de manutenção, enquanto estiverem em outro país.

Contudo, é preciso que se fale. Mesmo com o título de Edival, ainda assim,  não se pode fechar os olhos para a distância que tem separado os atletas do Brasil dos de outros países.

Fazendo uma análise do desempenho da Seleção neste Mundial Juvenil, pudemos ver que os outros atletas brasileiros mal passaram da segunda luta. E isso é muito preocupante. 

Não se pode fechar os olhos para o que aí está exposto. A centralização dos trabalhos da seleção brasileira é um equívoco que precisa ser reparado. 
 Ademais, além de projetos de fomento (que até o momento não foram implementados), os olhos da entidade não podem deixar de estar voltados para os treinadores, os grandes responsáveis pelas novas gerações de atletas brasileiros.



sábado, 1 de março de 2014

Realidade do Taekwondo brasileiro esbarra em Seleção para o ano inteiro

Marcus Rezende

Foto: Semile Rigobele
Jogos Abertos de 2013 - Alguns dos responsáveis pela nova geração de atletas brasileiros. Da esq. para a dir: Frederico Mitooka, Washington Azevedo, os talentosos irmãos Reginaldo e Clayton Santos, Belmiro Giordani e Sérgio Alberto

Pode ser até glamouroso realizar uma competição para definir os atletas que vão compor a seleção brasileira de taekwondo para o ano inteiro. Pode ser...Porém, em minha opinião, é insensato e contraproducente, visto que o ânimo de representar a Seleção deve estar aberto o ano inteiro.
Com a fórmula atual que perdura desde 2003, aos vencedores, pura felicidade. Aos que perderam, pura desolação.
Cá pra nós, se nem nas seleções de esportes coletivos isso ocorre, por que então tem que ocorrer justamente em um esporte individual como o taekwondo?
Vamos usar como exemplo o futebol. Alguma vez a CBF definiu uma Seleção Brasileira para o ano inteiro? Nunca. Por quê? Porque os atletas podem estar em boas condições físicas e técnicas hoje e não tão bem dois meses depois. O que a CBF faz? Realiza CONVOCAÇÕES. E o taekwondo o que deveria fazer? Realizar SELETIVAS para as competições do ano em curso. Está é a lógica que deveria permear nossa modalidade esportiva.
É necessário acrescentar, obviamente, que a realidade atual deste esporte marcial é movimentada por dinheiro público, o qual vem bancando todas as atividades da confederação. E aí perguntariam: como então definir aqueles que seriam bancados com esta verba pública? Ora, se é preciso nomes de atletas para uma remuneração, que se pense em uma fórmula por meio da qual, durante o ano em curso, os merecedores conquistem esta benesse, sem atrelamento à vaga definitiva na seleção. A Seletiva de início do ano não poderia servir para este fim?
Por outro lado, em vez de definir uma seleção para o ano inteiro, a CBTKD poderia também dar aos atletas brasileiros mais bem posicionados no ranking nacional e internacional status de atleta de seleção, tão-somente. Não estou dizendo, no entanto, que as regras para este ano devam ser modificadas. Já foram definidas e devem permanecer; seria uma injustiça com o trabalho árduo dos jovens irmãos treinadores de São Caetano, Reginaldo e Clayton Santos que puseram cinco atletas neste seleto grupo. Porém, é preciso que se faça esta reavaliação a partir de 2015.
Do jeito que está, os “derrotados” da seletiva definidora (que ocorre sempre em início de temporada), além da frustração da não conquista da vaga, para terem nova oportunidade, terão de viajar loucamente pelos OPENS caça niqueis, Brasil afora, para acumular pontos no ranking nacional e poderem competir novamente na seletiva única em 2015. O resultado, em muitos casos, em razão desta maratona, é o desestímulo de muitos atletas que, às vezes, param de competir para cuidar da vida. E quem perde com isso: o taekwondo brasileiro.
É preciso olhos atentos para enxergar que a fórmula está equivocada desde 2002, ano em que a Lei Piva iniciou o repasse de verba pública à CBTKD. A entidade, a partir desta época, assumiu uma postura paternalista e trouxe pra si a responsabilidade de preparar os atletas brasileiros, desconsiderando completamente o fato de que cada um deles possuía o próprio treinador.
Ao longo desses 12 anos, as Comissões Técnicas da CBTKD foram se intrometendo no trabalho dos treinadores brasileiros, os quais passaram a não conseguir plenamente planejar a vida técnica e atlética de seus atletas. E nessa toada, a Comissão da CBTKD, “viajando na maionese”, ia acreditando (como acredita até hoje) que o trabalho de desenvolvimento do jovem tinha de ser de responsabilidade deles.
Já imaginaram, por exemplo, a CBDA decidindo que vai começar a treinar o César Cielo? Algum dos leitores consegue imaginar isso? Por que não? Por que o cara é o melhor do mundo e treina nos EUA com o próprio treinador para ganhar medalhas para o Brasil.
Por que então aqui no Brasil querem reunir uma Seleção de atletas de Taekwondo e dar a eles uma direção que eles já possuem? Vão dizer (por exemplo) a Natália, ao Diogo, Márcio; aos Guilhermes e aos jovens de São Caetano como devem treinar? Eles não sabem? Não possuem seus treinadores?
Com cinco atletas nesta seleção formada, os geniais irmãos de São Caetano (Clayton e Reginaldo Santos) vão perder seus atletas para a vaidade da Comissão Técnica da Seleção Brasileira? Ou serão convocados para dar continuidade ao mesmo erro atualmente perpetrado? Os treinadores querem tranquilidade e apoio para continuar a produzir talentos para o taekwondo brasileiro.
Portanto, é hora de a CBTKD acordar. O Taekwondo é um esporte individual. Temos atletas de altíssimo nível no Brasil que só precisam que a entidade não os atrapalhe.

O Taekwondo brasileiro, por meio do trabalho de alguns treinadores, vem tentando criar uma forma própria de se conduzir. Porém, a CBTKD não está acompanhando esta nova realidade. Para finalizar, fica aqui o meu louvor ao trabalho realizado em São Caetano. O taekwondo brasileiro já começa a ficar devendo também a Reginaldo e Clayton Santos.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Grand Slam: festa também dos treinadores

Marcus Rezende

   Finalmente uma competição para demonstrar de vez que o sistema implementado neste país ao longo de décadas (e que ainda conta com a resistência de dublês de dirigentes) sempre esteve errado. No último final de semana (15 e 16 de Fevereiro, no Espirito Santo), a CBTKD promoveu uma competição denominada Grand Slam, por meio da qual os principais atletas brasileiros entraram no dojan para assegurar uma vaga na seleção brasileira de taekwondo.
Desta vez, a maioria dos treinadores não eram apadrinhados de dirigentes regionais. Os que ainda se fizeram presentes por indicação presidencial saíram do mesmo jeito que entraram. Em cena, de verdade, apenas os verdadeiros promotores de talentos deste país, acompanhando suas criações.
Pudemos ver complementando o cenário de luta os cariocas Alexandre Américo, Enoir Santos e Alan do Carmo; o renomado Carlos Negrão (SP); o paranaense Flávio Alves; o brasiliense Washington Azevedo; o piracicabano Frederico Mitooka; os grandes campeões, os irmãos feras de São Caetano, Clayton e Reginaldo Santos, entre outros. 
Quase sempre excluídos, por conta do formato das competições por seleções estaduais, os verdadeiros treinadores dos principais atletas deste país puderam mais uma vez mostrar a cara.
Apesar de particularmente não achar o mais sensato estabelecer (no início do ano) a seleção a representar o Brasil durante todo o calendário anual, confesso que houve um avanço ao se retirar das federações o poder de escolha dos atletas que poderiam tentar tais vagas; avanço – diga-se de passagem - forçado, logicamente, por uma corrente de treinadores cuja força não havia como mais segurar; as equipes de taekwondo são uma realidade para cujo sucesso, muitas vezes, apenas esperam que as entidades estaduais de administração não atrapalhem.
E falando em atrapalhar, a pergunta agora é a seguinte: formada a nova seleção, será que a CBTKD vai dificultar o trabalho já desenvolvido por estes treinadores guerreiros, retirando-os de seu habitat natural de treinamento e os levando para aventuras próprias de esporte coletivo? Se assim for, felizes os que ficaram em segundo lugar neste Grand Slam, pois talvez possam se livrar das garras das invencionices estabelecidas pela entidade e assim escolher quais competições abertas participar.
Diogo Silva, Natalia Falavigna, Márcio Wenceslau, Guilherme Félix, por exemplo, poderão se preparar com mais autonomia para os Grand Prix de Julho e Outubro, ambos com peso 4 no ranking internacional. Ao passo que os 16 atletas da Seleção Brasileira se obrigariam, em tese,  a participar das competições que a CBTKD definir.
Em todo caso, fica a torcida pelo bom-senso destes dirigentes, para que ouçam os treinadores destes atletas e respeitem a programação e prioridades de cada um deles para o ano em curso e que sirvam apenas de gerenciadores de um trabalho já existente.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Dirigentes estaduais na contramão do esporte

Marcus Rezende


 Quando dizemos que o taekwondo brasileiro está às cegas e meio que perdido é porque ficamos sabendo de fatos inacreditáveis para os dias de hoje. O praticante que quer ter um futuro como atleta, considerando que para tanto precise sair da cidade de onde mora - para passar a treinar em outro estado com alguém gabaritado e em condições de fazê-lo sonhar com um futuro melhor dentro deste esporte - acaba tendo muitos problemas.

Quando isso acontece, invariavelmente o atleta passa a ser perseguido pelo todo poderoso dirigente da federação do estado de origem. Isso porque o TAL, além de dirigente, se escolheu treinador dos praticantes. Ele parece acreditar piamente que ninguém vai ao título se não for por ele. Ou é com ele ou com alguém que ele escolhe.
E quando este atleta sai do estado e vai para o centro de treinamento de referência que pode o fazer crescer na modalidade, as represálias começam a surgir. O TAL dirigente de onde saiu o “taekwondista refugiado”, do alto de todo seu poder, decreta que o “fugitivo” a partir daquele momento deverá procurar outra entidade para se filiar, pois, estando fora do estado, não pode fazer parte dos quadros da federação que ele comanda.
Aí, o jovem atleta questiona:
 “Mas eu só estou treinando para me desenvolver...que mal há nisso?”. Mas a arrogância e a burrice, em alguns casos, andam juntas e tapam o raciocínio de alguns dirigentes beócios, que não têm olhos para enxergar e compreender o papel deletério prestado ao já cambaleante taekwondo brasileiro.
Impedido de fazer parte dos quadros de seu estado, o jovem sonhador tenta abrigo em outra federação. Mas começa a se deparar também com dirigentes TAIS com o mesmo perfil. Uns que selecionam atletas no ano anterior ao calendário atual. São os TAIS que entendem ser de responsabilidade das federações a capacitação técnica dos atletas. Fazem da entidade um clube.
Outros TAIS tem o curral tão fechado que transformam a federação do estado em academia de quinta categoria. São os que podemos chamar de CÉREBROS-FECHADOS.
Há TAIS que acumulam o cargo de dirigente com o de técnico de seleção estadual ou nacional. E acham isso normal. 

A verdade é a seguinte: o pobre do sonhador, que só quer se desenvolver, e que pra isso corre atrás de um grupo de qualidade, tem que também se desdobrar para encontrar a legalidade que o deixe competir. E assim caminha o taekwondo Olímpico brasileiro. Mesmo assim, algumas medalhas vêm surgindo de atletas que se desdobram para não cair nas garras desses TAIS que não se convencem de que devem escolher somente um dos ossos para roer.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Calendário da CBTKD começa a furar

Aviso da CBTKD aos atletas juniores do Brasil

Data: 15/1/2014

A CBTKD informa a todos os interessados e atletas que o Camping Juvenil, programado para acontecer entre os dias 20 até 26 de janeiro de 2014, na cidade de Rio Claro, São Paulo, está suspenso. A nova programação com novas datas e locais serão informados, em breve, pelo em nosso site.

 COMO SERIA O DIÁLOGO DA ENTIDADE COM ESTES ATLETAS EM SUPOSTO QUESTIONAMENTO POR PARTE DE ALGUNS DELES

CBTKD: Sabe aquele camping programado e divulgado no calendário oficial de nossa entidade? Não vai mais acontecer. 

Atleta: O quê!!! Ora...como fica então a programação que fiz com meu treinador, preparador físico, férias, família, passagem comprada, reserva em hotel?


CBTKD: Não fica. Estaremos, para outra data, marcando um novo Camping.


Atleta: Mas eu tenho todo um planejamento organizado para este ano. Preciso saber, agora, quando será o camping. Isso para tentar diminuir este prejuízo e tentar reformular o planejamento que fiz para o ciclo deste ano.


CBTKD: Fique tranquilo. Você é brasileiro e como bom brasileiro, você irá se superar. Ademais, o Camping vai resolver todos os seus problemas técnicos e físicos. Não importa em que data ele aconteça.

Atleta: Não teria como a entidade cancelar este Camping? Nos ajudaria mais.

 CBTKD: Mas...e as fotos e a propaganda?

sábado, 4 de janeiro de 2014

Guilherme Félix: a seleção brasileira peso-pesado

Marcus Rezende
 Guilherme (de branco) forma a elite do taekwondo mundial

Desde o ano 2000, venho dizendo que o sistema desportivo no Brasil está completamente equivocado. De lá pra cá, na minha humilde opinião, as coisas pioraram, pois as entidades de administração no Brasil ainda não conseguiram entender o papel que devem exercer junto aos atletas de taekwondo de alto rendimento, tampouco que ações precisam realizar efetivamente para fomentar a modalidade.
                                                                           
 Ao desbancar figurões do  taekwondo mundial, chegar a final e quase vencer o Grand Prix inaugural na Inglaterra (só não conseguindo porque a arbitragem resolveu no finalzinho da luta empatar um placar de 2 x 1 favorável ao brasileiro, e levar a luta para a prorrogação vencida pelo inglês que aplicou um questionável soco no colete do brasileiro), Guilherme Félix, de 24 anos, da Brazil Taekwondo Team (treinada pelo mestre Frederico Mitooka) acabou, subliminarmente, dando um recado à cartolagem brasileira cujo teor poderíamos traduzir assim: Não nos atrapalhem que as medalhas virão.   
   Com o resultado do Grand Prix de Taekwondo, o brasileiro conquistou 48 pontos no Ranking Mundial e se posicionou na 16ª colocação. Um passo enorme à vaga Olímpica de 2016.
  E olha que a vida deste atleta não foi nada fácil em 2013. Logo no início do ano, por conta de uma lesão, precisou se submeter a uma cirurgia e se manter em sessões de fisioterapia para voltar aos treinos o mais rápido possível. Voltou a treinar, mas a fisioterapia continuava.
A programação física e técnica era organizada por Mitooka, jovem treinador paranaense, radicado em Piracicaba, interior paulista. A ele a CBTKD deveria premiar pelos relevantes serviços prestados ao taekwondo de alto rendimento deste país.
Guilherme Félix disse que, em pareceria com o treinador, definiu as competições que deveria disputar em 2013.
“Decidimos juntos quais principais eventos que temos que priorizar na programação, pois pensamos que nosso corpo não consegue estar no seu ápice para lutar em todos os eventos”, explica o atleta, ressaltando que no período pós-cirúrgico precisou estabelecer qual seria a meta para 2013.
Desde que o dinheiro público, em 2002, passou a remunerar atletas no Brasil por meio da CBTKD e mais recentemente com verbas da Petrobrás, os treinadores brasileiros passaram a ter dificuldades com seus atletas, pois no meio do caminho havia a Comissão Técnica da CBTKD dando pitacos nos treinos dos atletas e estabelecendo as competições que eles deveriam estar.
Não foi o caso de Guilherme, ano passado. A lesão e a cirurgia deram ao atleta liberdade para se programar: À medida que fui evoluindo, o ritmo da fisioterapia diminuía dependendo do treino, pois o objetivo era me colocar de volta para treinar”, lembra o atleta, revelando que mesmo no descanso realizava o que alguns treinadores chamam de treinamento invisível. “Acreditamos que o treino fora do tatame é algo mais do que essencial, estudando e analisando lutas e jogos táticos, para que possa enriquecer a mente e, consequentemente, o treino”, assinala.
Porém, para muitos atletas da Seleção, ter seu próprio treinador estabelecendo as metas do ano não é coisa fácil. Isso porque quando passam a integrar a Equipe Brasileira (para o ano todo) e receber recursos públicos em forma de salário, acabam se tornando, de certa forma, reféns das ideias e decisões dos cartolas.
E as dificuldades de nossos atletas não param por aí. Se de um lado a CBTKD tenta, por meio de uma Comissão Técnica, ser a responsável pelos treinamentos dos atletas agraciados com verba pública, do outro, há os dirigentes regionais que também querem dar a sua contribuiçãozinha para atrapalhar um pouquinho.
No caso regional, sob a alegação anacrônica de uma seleção estadual treinando junta, alguns presidentes chegam a obrigar atletas vencedores das etapas estaduais a realizarem treinos organizados pela própria federação. UM CONTRASSENSO.
   Guilherme Félix é mais um brasileiro que vem  reforçar a tese que defendo desde o início deste milênio, cuja premissa é a seguinte: cada atleta de taekwondo é uma seleção que deve ser tratada individualmente.
Sendo assim, a CBTKD nunca deveria se intrometer no trabalho individual que cada um deles realiza, tampouco definir as competições que devem disputar.