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quinta-feira, 16 de julho de 2009

Em defesa do futuro

Marcus Rezende

Comenta-se pelos bastidores da CBTKD e de algumas federações que o fato de eu ter entrado com um pedido de ação junto ao Ministério Público Federal para que a justiça impeça que continuem ocorrendo competições com crianças menores de 14 anos nos moldes olímpicos é um ato danoso às crianças que desejam no futuro ser campeãs.
É preciso inicialmente observar que competição com crianças no moldes olímpicos, além de ser nociva o é também para professores e mestres, mesmo que estes não percebam isso. Deve-se analisar se esta criança continuará matriculada até os 14 anos. Muitas vezes ela é exposta desde os oito anos ou menos e quando chega aos 14 anos, já abandonou faz tempo a modalidade.
Dentre tantos fatores que poderia mencionar e abordar deixo a análise da preservação do jovem matriculado na academia, pois a não exposição da criança à violência dos golpes do taekwondo competitivo o mantém treinando e pagando a mensalidade. Isso é de extrema importancia a quem ganha a vida dando aula de taekwondo.
Atualmente a situação chegou a níveis alarmantes. O que antes começava nos 30 kg e ia subindo gradativamente sem nenhuma forma de estudo científico (e mesmo que existisse seria motivo de críticas acerbas), passou a se subdividir em pesos menores, com os adultos se deleitando, achando isso o mais normal possível. Duas crianças de cinco anos, chutando uma a outra, com técnicos, pais, coleguinhas, enfim, todos gritando: vai...chuta...pega ele.. e, em diversas ocasiões, crianças chorando e professores e pais achando isso normal. O resultado, na maioria das vezes, é a saída da criança da academia.
Por outro lado, há os que defendem a continuidade de tais combates visando à preparação da criança à categoria juvenil. Esquece-se que é na categoria juvenil que começa a preparação, para o objetivo maior: a categoria adulto. A criança com menos de 14 anos pode muito bem ser preparada tecnicamente de forma inteligente e segura e somente começar a ser exposta ao combate olímpico na idade onde as categorias de peso são reconhecidas mundialmente.
Em suma, o taekwondo brasileiro vem perdendo adeptos por conta da insensatez de alguns. Quero deixar claro que estou agindo dessa forma pensando no taekwondo e no professor e contra o interesse dos dirigentes de entidades que somente estão pensando nas inscrições desses rebentos.
Mantenho a convicção de que se as regras para a competição infantil fossem adaptadas, com formas diferenciadas de avaliação, mesmo que os insensatos não pusessem seus atletinhas para disputar, haveria outros professores que o fariam com os seus praticantes pequeninos. Daí sim, no respeito a individualidade de cada um deles, no futuro, torna-los atletas.