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domingo, 26 de julho de 2015

Pinto volta por baixo e tonto depois da pífia campanha do Brasil no Pan de Toronto

Marcus Rezende

Depois de passear por Toronto com paradas estratégicas em pubs com registros fotográficos publicados no facebook - enquanto os atletas tentavam as medalhas que o caratê brasileiro dias depois acabou trazendo para o Brasil– chegou a hora de o presidente da CBTKD, Carlos Pinto, cair na realidade brasileira e responder as perguntas que não querem calar.

A primeira seria a de explicar por que colocou o homem forte da federação de taekwondo do Amapá, Júnior Maciel, orientando os atletas, em vez de deixá-los sob os cuidados dos outros dois técnicos que lá estavam: Fernando Madureira e Carmen Carolina? 
Quais as credenciais deste ex-presidente da federação amapaense para se tornar técnico da Seleção Brasileira?

Ainda assim, Fernando Madureira (há anos o principal técnico da equipe nacional) moralmente não poderia ser técnico de uma equipe nacional, sendo ele presidente da Federação de Taekwondo do Paraná. Mas no taekwondo isso é totalmente possível, bastando o pretendente ter o poder do voto nas Assembleias. A única que moralmente poderia sentar-se como técnica desta equipe é a ex-atleta olímpica Carmen Carolina.

Outros questionamentos que Pinto vai precisar responder para se erguer é se a partir de agora irá respeitar a decisão da Terceira Câmara do Tribunal de Justiça do Rio e repatriar as Federações que ilegalmente (segundo os desembargadores) foram desfiliadas pela CBTKD em 2012. Há também de promover a publicação do Estatuto antigo sem as ilegalidades que o atual possui.

E pra complementar o que pode deixar Pinto derrubado definitivamente são as suspeitas de corrupção que estão sendo investigadas pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal. São muitos os indícios de que a CBTKD se envolveu com empresas supostamente acostumadas a promover licitações fraudulentas. 

Pelo que se pode ver nas planilhas já amplamente divulgadas e que fizeram parte das licitações da confederação, os valores apresentados pelas empresas vencedoras superam em muito o valor de marcado dos equipamentos licitados.

Portanto, o peso que recai sobre Pinto é muito grande e ele vai precisar de muito boas explicações para convencer a comunidade taekwondista de que está no caminho certo. 
Já à Justiça Federal terá de provar que todas estas suspeitas são apenas ilações de pessoas invejosas as quais ele gosta de chamar de oposicionistas.


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Um passeio pela história dos atletas de taekwondo do Brasil

Marcus Rezende

Rodney Américo
Flávio Molina
Neste texto, uma pequena homenagem àqueles que fizeram a história do taekwondo brasileiro no passado e presente. Obviamente, podemos esquecer de muita gente boa. Mesmo com algumas omissões, a ideia é registrar neste humilde blog um pouco daqueles heróis que transitaram por nossa arte marcial, na seara competitiva, ao longo destes mais de 40 anos.Vamos começar pelo primeiro faixa preta do Brasil, Rodney Américo, o peso-pesado mais temido dos anos de 1970. Rodney vencia todas as competições que disputava. Na mesma toada, no peso abaixo, vinha o grande Flávio Molina. Outro que não perdia pra ninguém por aqui. Molina, no início dos anos de 1980 introduziu o Muay Thay no Brasil. Eram guerreiros dos primórdios do taekwondo. Havia também uma fera do Rio Grande do Sul chamado Edson Bernardes. Nocauteador nato com o seu mondolho furyo tchagui demolidor com a perna esquerda.
Edson Bernardes













Na mesma turma do mestre Woo Jae Lee estava, entre outras feras, Reinaldo Evangelista (o Pelé), um verdadeiro representante do taekwondo-garra.
Luis César
Reinaldo Evangelista
Da Rua da Carioca 54, Centro do Rio, da academia do mestre Jung Roul Kim, surgia Luiz César, uma espécia de homem-mola-elástico; o que ele fazia com as pernas era de impressionar. Despontou vencendo o Brasileiro de 1979, no Rio, apresentando uma técnica invejável. Porém, abandonou o sistema pressionado pela política dos exames de faixa. Tinha 22 anos e poderia ter feito parceria em competições internacionais com outro ícone do nosso taekwondo que iniciava sua carreira exatamente em 1979, vencendo o primeiro brasileiro do currículo.
Carlos Eduardo Loddo
Carlos Eduardo Loddo punha às técnicas de competição a potência marcial que o movimento exigia. Seus chutes e socos entravam destruindo os oponentes. Nunca perdeu uma competição nacional. Em 1986 trouxe a primeira medalha internacional para o Brasil. Foi na primeira Copa do Mundo (EUA). Caroço (como era chamado) foi bronze. Mas poderia ter sido Ouro se não tivesse rompido os ligamentos do joelho quando vencia a luta semifinal contra um egípcio com extrema facilidade. Uma pena!

No início dos anos 80 surgem no Rio Grande do Sul Alexandre Gomes e In Kiu Lee. A dupla que vencia os Brasileiros ano após ano.
Milton Iwama
Alexandre Gomes
In Kyu Lee
Na segunda metade dessa década surge a fera Milton Iwama e com ele Alisson Yamaguti. Ambos seriam vice-campeões Mundiais em 1993, em Nova York. Alisson, ainda conquistaria o Bronze nas Copas do Mundo de 1990 e 1996.
  • César Galvão
Allisson Yamaguti




Em 1987, na Copa do Brasil, em Goiânia, apareceria um baixinho girando para todos os lados pra cima de Alexandre Gomes. Seu nome, César Galvão. Ele tinha apenas
 15 anos. Não levou aquele campeonato. Mas Alexandre já sabia que seu reinado estava ameaçado. Cesinha, como todos o chamavam, fazia o ginásio parar para

Lúcio Aurélio
vê-lo lutar. Parecia a encarnação de Bruce Lee. Foi medalha de Bronze nos Jogos Pan-Americanos de 1991.
No brasileiro de 1988, no mês de Novembro, também em Goiânia, apareceria o santista Fábio Goulart pra mostrar porque seria campeão Pan-Americano em 1990 e medalha de Ouro nos Jogos Pan-Americanos do ano seguinte. Uma palavra definia este atleta: precisão.

                                                     Em 1990, o paulistano-coreano Dong Wook Kim trouxe a medalha de Bronze na Copa do Mundo em Madri, na Espanha.


Fábio Goulart
No início dos anos de 1990 aparece o cabeludo Lúcio Aurélio, um dos melhores pesos-pesados que o Brasil já teve. Ele foi Prata nos Jogos Pan-Americanos de 1991 e no Mundial de 1995 teve de enfrentar em sua quarta luta um tal de Je Kyoung Kim (espetacular peso-pesado coreano) e acabou ficando com a medalha de Bronze. Outro nome que não pode ser esquecido é o de um jovem brasiliense que em 1991 trouxe para o Brasil a primeira medalha em campeonatos mundiais. Jorge Gonçalves foi medalha de bronze no Mundial da Grécia. Neste mesmo ano, outro brasiliense, Rodrigo Berrogain, traria o Bronze da Copa do Mundo de Zagreb (antiga Iuguslávia).
Rodrigo Berrogain
Leonildes dos Santos

Entre as mulheres, já despontava a santista Leonildes dos Santos. Vice-campeã mundial em 1995, foi bronze no campeonato Pan-americano de 1994 e Ouro no de 1996, além de bronze na Copa do Mundo do mesmo ano que aconteceu no Rio de Janeiro.
Na segunda metade dos anos de 1990 consolida-se a grande safra dos atletas de São Paulo. Pra se ter uma ideia, na Copa do Mundo de 1996, no masculino, exceto Lúcio Aurélio, todos eram de São Paulo.
André Yamaguti era outro nome importante do Estado. Ele foi bronze na Copa do Mundo de 1997, no Egito. Na categoria até 76 Kg, destaque também para o paulistano Sérgio Alberto, que foi medalha de bronze na Copa do Mundo do Rio. 
Márcio Eugênio Dutra

Esta competição no Brasil foi histórica. A luta final entre Márcio Eugênio e o mexicano Rafael Zuniga, simplesmente levantou o público no Maracanãzinho. O placar eletrônico chegou a quase 30. Era ponto lá e ponto cá. Márcio ficou com a prata, e se tornou ídolo do taekwondo brasileiro.Nessa mesma Copa do Mundo, Marcos Pereira e Agnaldo Vicente ficariam com o Bronze também.
Sérgio Alberto
.
Destaque também para Ana Paula França, bronze nesta mesma Copa do Mundo do Rio e Ouro no Campeonato Pan-americano de 1998. Ela que se caracterizaria pela garra apresentada em suas lutas.
Ana Paula França defende-se
Neste mesmo ano, a safra de ouro paulista apresentava outros nomes: Carlos Costa, Diogo Silva e os irmãos Márcio e Marcel Wenceslau. Os três últimos têm uma história mais conhecida. Não daria aqui para mencionar, neste espaço, tantas conquistas. Vamos ficar com a Prata dos Jogos Pan-Americanos de 2007
Carlos Costa
 e o vice-mundial de 2005 de Márcio e o Bronze de Marcel no Mundial de 2007.
Márcio Wenceslau
Já Diogo Silva acabou com o jejum de 16 anos sem medalha de Ouro para o taekwondo em Jogos Pan-Americanos. Ele a conquistou no Pan do Rio em 2007.
Carlos Costa, que cansou de ganhar Campeonatos Brasileiros, conquistou o Bronze da Copa do Mundo de 2007 e o Ouro no Campeonato Pan-Americano de 2000.
Diogo Silva

Marcel Wenceslau

Karina Couzemenco
.
Em 1997 apareceria outra fera carioca. Karina Couzemenco. Lutadora fria e calculista com chutes precisos e de lutas espetaculares
Walassi Aires
como a que fez contra a francesa no Mundial de Hong Kong quando perdia por 6x1 e terminou empatando em 9x9, vencendo por decisão dos juízes. Em 2000 seria Bronze na Copa do Mundo realizada em Lion, na França.O Paraná por essa época apresentaria Walassi Ayres e Carmen Carolina. Walassi foi medalha de
Aparecida Santana
 prata nos campeonatos Pan-Americanos de 1998 e 2000 e Carmen foi Ouro na seletiva Pan-Americana que a levou às Olimpíadas de 2000, em Sidney.
Neste mesmo período, meados e final de 1990, não podemos deixar de mencionar duas guerreiras, não tanto pelas conquistas, mas pelos anos de dedicação ao taekwondo
 São elas Manoela Pontual e Aparecida Santana. Incansáveis.    
 Outro grande atleta que vinha na mesma tacada era Douglas Marcelino.
Carmen Carolina
Manoela Pontual
    O grande momento deste guerreiro ocorreu no Mundial de 2001, na Coreia, quando enfrentou o dono da casa e o venceu a dois segundos do final, quando a luta estava empatada
em 8x8,tornando-se o primeiro brasileiro a vencer um coreano em campeonatos mundiais.
Natália Falavigna
Douglas Marcelino
Porém, os anos 2000 tem dono. Aliás, tem dona. E ela se chama Natália Falavigna. De forma meteórica saiu da faixa azul no primeiro semestre de 2000 para o título do Mundial Juvenil na irlanda no final do mesmo ano.
Depois, estaria sempre nos pódios em todas as competições internacionais até o título Mundial de 2005 e o Bronze nas Olimpíadas de 2008. Muitas lesões a tiraram de diversas competições depois das Olimpíadas daquele ano.
Leonardo Santos
Carlos Izidoro
Na onda de Natália foram chegando novos atletas. Entre eles estavam o goiano Leonardo dos Santos(o macarrão) e o gaúcho Carlos Izidoro.
O primeiro foi bicampeão Pan-Americano (2006 e 2010) e Bronze nos jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio. Izidoro foi Ouro no Pan-Americano de 2004 e teve boas participações nos Mundiais de 2005 e 2007. Bateu de frente, duas vezes, com pentacampeão mundial, o norte-americano Steven Lopez.
Na segunda metade dos anos 2000, por conta do apoio do dinheiro público à CBTKD, a participação dos brasileiros em eventos internacionais se tornou mais efetiva, fazendo com que mais medalhas fossem surgindo.
Nesses últimos 10 anos, destacamos os seguintes atletas brasileiros:
Débora Nunes
Hellorrayne
Débora Nunes (que venceu a seletiva Pan-Americana para os jogos Olímpicos de 2008), Hellorraine Paiva, que acumula diversas medalhas em competições abertas e militares, da mesma forma que Josiane Lima, atleta com 13 anos de competições internacionais e diversas medalhas no currículo.
Kátia Arakaki
Josiane Lima
Outra que seguiu o mesmo caminho foi Kátia Arakaki. Ela foi Ouro no Campeonato Pan-Americano de 2010 e possui inúmeras medalhas em competições internacionais.
No final da segunda metade dos anos 2000 surge um atleta muito alto e muito magro, pesando 58 quilos e usando a perna da frente para atrapalhar os planos do grande Márcio Wenceslau. Seu nome Guilherme Dias.
Guilherme Dias
Guilherme Cezário Félix
No Mundial de 2013 ele representou o Brasil e trouxe a medalha de bronze. Um outro Guilherme também apareceu querendo o seu lugar ao sol. Mas este é pesado e é o Cezário Félix, prata no Campeonato pan-americano de 2014. 
Outros novos atletas foram surgindo. Entre eles os paulistas André Bilia e Henrique Precioso.
Henrique Precioso

André Bilia
Recentemente, uma grande surpresa com o aparecimento de Venilton Teixeira, que foi Bronze no Mundial deste ano na Rússia, chegando à semifinal de forma avassaladora.
  A exemplo de Natália Falavigna, o paraibano Edval Marques (conhecido como Netinho) de 16 anos arrebatou a medalha de Ouro nos Jogos Olímpicos da Juventude, em 2014.
Edval Marques, medalha de Ouro nas Olimpíadas da Juventude
Venilton Teixeira
Entre as mulheres, Rafaela Araújo (Ouro do Campeonato Pan-Americano de 2010) e Raphaella Galacho.
Raphaella Galacho

Rafaela Araújo
Esta acumula um número impressionante de medalhas desde 2007. A última foi o Bronze nos Jogos Pan-Americanos deste ano em Toronto.

Outra fera que vem se destacando é Júlia Vasconcelas, com muitas medalhas conquistadas em dois anos de efetivas competições. A mais contundente foi a medalha de prata no Campeonato Pan-Americano de 2014.
Júlia Vasconcelos

Porém, nada igual a atleta Iris Tang Sing. Em quatro anos, a menina de Itaboraí (RJ) conquistou 18 medalhas. As mais importantes são as de Ouro no Campeonato Pan-americano de 2014; o Bronze no Mundial de 2015 e outro bronze nos Jogos de Toronto.

E por que não fazer um prognóstico sobre o que está por vir.
Iris Tang Sing
Maicon Andrade
Então este humilde blogueiro vai apostar as fichas em uma promessa surgida recentemente pelas mãos dos jovens treinadores Reginaldo e Clayton Santos. Trata-se do peso pesado Maicon Andrade, que despontou ano passado e deve vir com tudo atrás da vaga para as Olimpíadas de 2016.

Fonte: Taekwondo Data

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Taekwondo não tem dono

Marcus Rezende

  Tem sido generalizada a opinião de que muitos faixas pretas de taekwondo no Brasil são formados sem o preparo técnico e filosófico adequados a tal graduação e que é dever das federações estaduais da modalidade barrar esta má formação. Porém, é preciso compreender que todo o esforço não vai mudar o que já se configurou um comércio no Brasil. Ademais, o ônus dessa má conduta sempre vai recair sobre aquele mestre que faz mau uso da condição de examinador, e não sobre a modalidade. Essa é uma questão que deve ser analisada por duas vertentes. A primeira é a de que no futuro serão estes mercadores os questionados e não a modalidade. E a segunda reside no fato de que legalmente as federações não têm direito de se meter nisso.

A preocupação por parte de alguns mestres conceituados, dirigentes sérios de entidades que administram o taekwondo brasileiro é até louvável, pois querem o melhor para esta arte marcial no Brasil. Porém, devem entender que o poder de uma entidade de administração é limitada ao que está escrito em seu Estatuto (desde que de acordo com a lei do país) e aos eventos que organiza. 
  Os taekwondistas, por lei, têm o direito de escolher se querem ou não estar filiados àquela entidade. A Constituição Federal em seu artigo 5ª alínea XX é transparente: ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado.
Precisa ser mais claro?
Além disso, uma entidade de administração de uma modalidade marcial não pode ser confundida com um sindicato ou um conselho regional de profissões estabelecidas em lei. Federação de Taekwondo não tem poder nenhum sobre quem abre uma academia e passa a ensinar, mesmo que este sujeito não apresente os requisitos que esta entidade considere adequados. Leia o que diz o mesmo artigo 5º,alínea XIII:  é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer
Repetindo o final para ficar bem entendido: “...QUE A LEI ESTABELECER”. Taekwondo não está estabelecido em lei. Não adianta querer estabelecer esta regra no Estatuto, Não vale!

Atualmente no Brasil, por desconhecimento do ordenamento jurídico, muitos professores e mestres de taekwondo acham que são obrigados a se filiarem à federação estadual. 

Logo, o mestre ou professor  de taekwondo que se sentir ameaçado por qualquer dirigente, neste sentido, pode ir Ministério Público Estadual – em nome da coletividade de taekwondistas daquele estado - denunciar a entidade e pedir que proponham uma ação contra a federação, baseada na lei do país.
Alguns presidentes (pra não dizer a maioria) se utilizam do pouco conhecimento destes professores para encurralá-los. No fundo, alguns deles só estão preocupados mesmo é com o dinheiro que podem auferir das taxas de exames dos alunos destes professores ou mestres.
Os presidentes de federações de taekwondo do Brasil devem baixar a bola e procurar se instruir sobre os direitos de uma entidade privada. Se querem que os taekwondistas façam parte de sua entidade e os respeitem, devem trabalhar para isso e demonstrar aos mestres, professores e praticantes do estado as vantagens de se filiarem.

Portanto, na hora do pega pra capar, os mercadores vão assumir particularmente o ônus do que fizerem de errado da mesma forma que os dirigentes que acreditam ser donos do taekwondo no estado.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Federações não querem que Pinto caia

Marcus Rezende

Cartas que os presidentes das federações de taekwondo coligadas à CBTKD enviaram à entidade se solidarizando com o presidente da confederação, Carlos Pinto, depois que os Desembargadores do Rio de Janeiro decidiram anular o tal estatuto ilegal e inconstitucional, aprovado em Novembro de 2011.

Lendo cada uma delas ficou a impressão de que o mandatário da CBTKD emanou ordem para que os presidentes abordassem conteúdos específicos no intuito de sensibilizar os magistrados. 
Como toda unanimidade é burra, como diria Nelson Rodrigues, com pouca criatividade, os presidentes das entidades estaduais deixaram isso claro em suas manifestações de repúdio à decisão do TJ do Rio de Janeiro e de apoio ao presidente da Confederação Brasileira de Taekwondo.

Se o leitor conhece um desses presidentes estaduais, pergunte a eles por que até o momento não se manifestaram em relação à publicação no site da entidade sobre a prestação de contas ordinárias da CBTKD do ano de 2014? Será que a AGO ocorreu, mas as contas não foram apresentadas? Será que estão atrás das notas que justifiquem os gastos? Podemos pensar em qualquer coisa, em se tratando deste grupo sob eivadas suspeições de desvio de dinheiro público.Mas isso tudo está sendo apurado. Só esperamos que os presidentes estaduais que hoje defendem esta gestão, mantenham-se fieis quando as suspeitas forem comprovadas.


E ainda questionam não terem sido ouvidos pelos desembargadores.




As cartas que resumo a seguir foram anexadas a uma apelação que a CBTKD fez à 3ª Câmara Cível.


Vamos analisar alguns trechos das cartas.

O que diz o presidente Gilson Baracho, da Federação Esportiva Fluminense: “Ficamos sem entender porque o poder judiciário do estado do Rio de Janeiro não deferiu as provas testemunhais, tão importante para a apurar a verdade dos fatos neste processo”.

Ora, não seria porque os magistrados entendem que o papel de uma federação é o de fiscalizar e não o de defender a confederação? Tem que respeitar a decisão da justiça, presidente, e procurar entender o que ocorreu de verdade. Ao que parece, não leu a decisão.


O presidente da Federação da Bahia, José Carlos Teixeira, vai na mesma toada e diz que a decisão está causando temor aos atletas da Bahia e um retrocesso no nordeste. Sem comentários!


Já o presidente da Federação Maranhense, Geová de Sousa, também se manifesta contra a decisão do TJ do Rio, argumentando que o a nova gestão valoriza os atletas em todo o território nacional e diz que a atitude do egrégio tribunal foi equivocada. Ora, solicito ao presidente que faça a defesa, então, dos trechos inconstitucionais deste estatuto aprovado.


Já o presidente da Federação do Tacontins, Pedro Araújo, vai ao paroxismo quando diz que os internautas se apropriaram da decisão dos desembargadores para destruir a imagem do esporte. Chega a ser ridículo acreditar que os desembargadores tomaram suas decisões baseados no que alguns poucos descontentes (na visão dele) vem publicando.


O presidente da entidade de Mato Grosso, Hélio Ribeiro, inicia a carta com a mesma ladainha dos demais, dizendo que esteve presente à tal Assembleia e que o estatuto aprovado foi o lido a todos. Lamenta também o fato de não ter sido ouvido como testemunha. Diz que a decisão dos desembargadores é desastrosa e que serve para favorecer um pequeno grupo. Presidente, a modificação posterior no estatuto foi provada.


O Presidente do Amazonas, Raimundo Gomes, diz que a decisão traz a ele muitos transtornos em vista do calendário desportivo. Não explica onde está o erro na decisão, mas diz esperar que a situação seja resolvida. Será, sim.


Aí vem a carta do presidente da Federação mineira que ocupou o lugar da original. O senhor Lécio Mizael diz que a decisão do TJ está trazendo desconforto. Explica que realizou isso..., realizou aquilo e que a decisão compromete o desenvolvimento do trabalho. Só pode estar brincando!


A carta do Presidente da Federação de Rondônia, Frank Lopes, se reporta ao planejamento da federação em relação às competições que estão por acontecer e que a decisão do TJ irá transformar os sonhos deles em caos. Em nenhum momento apresentou o erro do egrégio tribunal.


O presidente de Santa Catarina, Adelino Filho, manifesta “repúdio frente à decisão judicial que afronta a democracia e o poder máximo da entidade que é a assembleia geral”. É impressionante como os caras não conseguem entender que assembleias não estão acima das leis. Ele, com certeza, não prestou atenção nas alterações que Pinto fez no Estatuto cancelado pela justiça. Fala de instabilidade aos atletas, como se estes fossem fruto de trabalho federativo. É outro que parece entender federação como clube.


A carta do Presidente do Rio Grande do Norte, Rivanaldo Freitas (também técnico da Seleção Juvenil), não muda a cantilena. Parece uma cópia das demais. Apenas acrescenta a insegurança que o fato irá causar, em razão dos Jogos de Toronto e das Olimpíadas de 2016.


A carta do presidente da Federação do Paraná, Fernando Madureira, não vou nem comentar, pois o sujeito é simplesmente presidente de uma federação e técnico da Seleção principal. E pior, recebendo salário por isso. Que isenção tem pra falar alguma coisa?


Victor Amorim, da federação pernambucana, parece ter dado um CRTL C e um CRTL V (copiou e colou). Nada a dizer.


Daí vem a carta do presidente da federação do Amapá, Auciney Maciel. Ele se mostra preocupado com os prejuízos aos atletas e aos “resultados perante o nosso esporte no cenário mundial”. O que isso tem a ver com o cenário mundial, nobre presidente? O prejuízo mesmo pode recair sobre a cabeça do outro técnico da seleção brasileira, Junior Maciel (teria algum parentesco com o presidente?). Este certamente, havendo uma nova gestão com gente séria, estará fora.


A carta do presidente da federação de Roraima, Nailton Carneiro, pede a Pinto que se mantenha firme em suas atitudes e que ele “não se deixe abater por ações judiciais demandadas por quem nunca teve compromisso com o taekwondo”. A ação judicial é da FTEMG. Baseado em quê o nobre presidente diz que esta federação não tem compromisso com o taekwondo?


O presidente da federação do Piaui, Ricardo Paraguassu, fala do orgulho de se ter atletas no ranking mundial. Usa também a ladainha para que Pinto não se deixe abater por “ações demandadas por quem nunca teve compromisso com o Taekwondo”. Perceberam, o CRTL C e CTRL V?


Roberto Elias da Silva, de Mato Grosso do Sul, em carta minúscula, fala dos transtornos causados pela decisão. Diz que não viu nenhum tipo de alteração no estatuto. Realmente parece estar cego.

Em carta mais robusta, José Junior, da Federação de São Paulo escreve, escreve e não diz nada. Fico a imaginar os desembargadores lendo a carta dele. Não vão entender nada, pois até em soberania nacional ele se reporta, quando utiliza o espaço para criticar a vinda dos mestres da Kukkiwon ao Brasil.


Já Francisco Almeida Gomes, do Ceará, que inicia a carta da mesma forma pouco criativa que as demais, diz assim: “Conhecemos muito bem as pessoas que entraram contra a entidade na justiça”. Chega ao cúmulo de associar a vitória do atleta paraibano, Netinho, nos Jogos Olímpicos da Juventude, ao apoio que a CBTKD deu aos estados do nordeste. E o que isso tem a ver com o caso, ínclito presidente?


A carta do recém-empossado presidente da federação de Goiás, José Ricardo Favorito, faz parecer que o taekwondo competitivo do Brasil começou em 2011, quando diz que agora muitos atletas estão disputando competições internacionais e conquistando títulos para o nosso Brasil.


Itassi Camargo, do Acre, que foi empossado logo após a federação legítima ter sido desfiliada, diz se mostrar muito preocupado. Chega ao primarismo de perguntar se a atleta do estado dele, classificada para o campeonato mundial, será prejudicada com a decisão. Como se a vaga da atleta fosse fruto do trabalho da federação. É outro que deve achar que federação é clube. Triste.


Já o presidente da federação alagoana, Gilberto da Silva, cita a escravidão pela qual o taekwondo passava quando era dirigida por coreanos. Não fala nada com coisa nenhuma para que sua carta esteja anexada aos desembargadores.


O presidente da federação de Sergipe, Eduardo Gonçalves, inicia a carta com “imenso pesar”. Ele diz não entender por que as federações não foram chamadas para serem ouvidas no processo. Eu respondo: os desembargadores não são tolos. E completa a carta dizendo que o judiciário foi induzido ao erro. 
 Desembargadores induzidos ao erro e a CBTKD pagando os tubos a um dos escritórios de advocacia mais conceituados do Brasil? Ora, senhor presidente, não sejamos ingênuos.


O presidente da federação gaúcha, Olzemir Machado, diz que a decisão está causando o caos para os atletas. Dai fala em Olimpíada, em ranking em definição de atletas. Uma cartinha sofrível.


A carta do presidente da Federação do Pará, assinada por Denilson Costa, vem com título: INDIGNAÇÃO do PARÁ. Vamos deixar só uma frase dele: “a assembleia geral é unânime e suprema”. Imagina um desembargador lendo isso?


A Federação da `Paraíba, presidida por Tomaz Azevedo, também manda carta com título: “Federação Paraibana lamenta erro do judiciário do Rio de Janeiro”. Ele afirma que as 27 federações através do voto direto resolveram desfiliar as federações “ora em questão”. Acredita que uma assembleia tem esse poder. E ele finaliza dizendo que as federações desfiliadas não cumpriram com o que está escrito no estatuto. Que estatuto? O que foi anulado pela justiça? faça-me o favor...


E por fim o presidente da federação do Distrito federal, Ademar Inácio Lamóglia. Ele escreve a mesma coisa que os demais, mas faz questão de frisar que a CBTKD é regida por seu estatuto e que as assembleias são soberanas. Ora, presidente, ninguém discorda. Porém, acima do Estatuto estão as leis do país. A Assembleia soberana, por exemplo, não pode alterar regras legais que estão na Constituição Federal.

É por essas e outras que continuo afirmando que falta muita cultura desportiva aos presidentes das federações de taekwondo do Brasil.


Então, nobres presidentes, se o Pinto cair, seria de bom alvitre que os senhores abrissem mão de seus mandatos em solidariedade a este revolucionário presidente. E se a justiça confirmar a ilegalidade, os senhores devem também ser afastados, pois foram cúmplices desta ilegalidade. Ou não? 

terça-feira, 23 de junho de 2015

Falta de cultura desportiva: o mal do taekwondo brasileiro

Marcus Rezende




Por que as federações de taekwondo no Brasil não se desenvolvem e qual seria o verdadeiro papel destas entidades no gerenciamento desta modalidade Olímpica?
Depois de anos vendo diversos absurdos acontecerem no taekwondo brasileiro não é difícil entender o motivo pelo qual dirigentes estaduais encaram a entidade de administração como uma propriedade deles. Impressionante também como acreditam que o taekwondo no Estado os pertence.
A falta de cultura desportiva faz com que tais dirigentes acreditem não existir vida no taekwondo fora das federações. E aí se espantam quando descobrem alguns mestres cheios de alunos que nem lembram da existência destas entidades. E se surpreendem quando percebem que os adeptos não filiados (alheios ao sonho Olímpico) querem mesmo é treinar a arte marcial. E que, mesmo quando querem competir, o fazem em eventos dos mais diversos, longe do poder que a federação acha que possui.
Nesta ilusão, os dirigentes tupiniquins vão administrando uma modalidade apequenada e tacanha, acreditando que os professores e mestres não se sustentarão longe deles.
O problema é que na direção de uma entidade está sempre um mestre acostumado a mandar. Daí, ele acha que tem o papel de mandatário do taekwondo no estado. Ele não consegue admitir a falta de poder. Ele não consegue entender que precisa servir e não ser servido. Daí ele se fecha em um mundo pequeno, só dele, achando que é grande, porque a CBTKD reconhece a entidade como a única  representante do taekwondo naquele estado. Todavia não tem a capacidade de interpretar que esta representação se dá tão-somente no âmbito da CBTKD.

Como teriam de agir? 

Em primeiro lugar entendendo que seu papel principal não é o de realizador somente de campeonatos, tampouco de formador de atletas; sim o de fomentador da modalidade. Mas o que seria isso? Muitos desses dirigentes infelizmente nem sabem o significado da palavra fomento.
Não procuram utilizar a força da pessoa jurídica que possuem para abrir espaços no sentido de tornar conhecida a modalidade em todas em suas vertentes.
Trabalhando nesta seara, o administrador de uma federação conseguiria dar visibilidade a modalidade e aumentar o número de praticantes. Mas como fazer isso?
São tantas as possibilidades, que seria preciso muitas páginas a escrever. Hoje, tornou-se muito mais fácil fomentar em razão da tecnologia nas comunicações. Um exemplo, entre muitos, seria o dirigente levar o taekwondo onde o povo está. A federação poderia criar um grupo de conselheiros para estabelecer ideias para esta filosofia.
Hoje em dia, o professor fica esperando alguém entrar em sua academia, conhecer as características da modalidade por meio da aula e se apaixonar pela beleza do taekwondo. E quem ensina sabe o quanto é difícil isso ocorrer da forma desejada. 
 A federação poderia encurtar este caminho e fazer com que esta pessoa chegue à academia já sabendo o que vai ver, tendo em vista ações de fomento perpetradas por ela.
Apresentando um trabalho bem alicerçado, logo de cara, a federação começaria a ganhar credibilidade junto a professores e mestres. Esse profissional que vive do taekwondo passaria a reconhecer que o aumento no número de alunos deveu-se ao trabalho da entidade, mesmo ainda não estando filiado a ela. E, daí por diante, uma coisa chamaria a outra.
O que ocorre hoje em dia é que as federações não fazem nada a esse respeito e buscam na política do medo levar ao profissional o entendimento errado de que se ele não se filiar será considerado clandestino e que as autoridades poderão fechar o seu estabelecimento. E muitos acreditam nisso.
Tem dirigente que, por ser um mestre praticante, conhecedor profundo da modalidade, quer estabelecer as suas metas técnicas à comunidade taekwondista de seu estado, desconsiderando as limitações de alguns destes profissionais. Muitos acham que sabem mais do que os outros e que, por estar no comando, se obrigam a estabelecer diretrizes de treinamento e exames de faixa. Criam seminários, cursos e o tornam de participação obrigatória.
Não veem que tais atitudes só afastam os professores e mestres. Assim sendo, o sujeito que ensina e que possui um pouco mais de esclarecimento, nem dá bola para tais absurdos e vai cuidar da vida. Quantos no Brasil não estão nem aí para as entidades?