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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Taekwondo não tem dono

Marcus Rezende

  Tem sido generalizada a opinião de que muitos faixas pretas de taekwondo no Brasil são formados sem o preparo técnico e filosófico adequados a tal graduação e que é dever das federações estaduais da modalidade barrar esta má formação. Porém, é preciso compreender que todo o esforço não vai mudar o que já se configurou um comércio no Brasil. Ademais, o ônus dessa má conduta sempre vai recair sobre aquele mestre que faz mau uso da condição de examinador, e não sobre a modalidade. Essa é uma questão que deve ser analisada por duas vertentes. A primeira é a de que no futuro serão estes mercadores os questionados e não a modalidade. E a segunda reside no fato de que legalmente as federações não têm direito de se meter nisso.

A preocupação por parte de alguns mestres conceituados, dirigentes sérios de entidades que administram o taekwondo brasileiro é até louvável, pois querem o melhor para esta arte marcial no Brasil. Porém, devem entender que o poder de uma entidade de administração é limitada ao que está escrito em seu Estatuto (desde que de acordo com a lei do país) e aos eventos que organiza. 
  Os taekwondistas, por lei, têm o direito de escolher se querem ou não estar filiados àquela entidade. A Constituição Federal em seu artigo 5ª alínea XX é transparente: ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado.
Precisa ser mais claro?
Além disso, uma entidade de administração de uma modalidade marcial não pode ser confundida com um sindicato ou um conselho regional de profissões estabelecidas em lei. Federação de Taekwondo não tem poder nenhum sobre quem abre uma academia e passa a ensinar, mesmo que este sujeito não apresente os requisitos que esta entidade considere adequados. Leia o que diz o mesmo artigo 5º,alínea XIII:  é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer
Repetindo o final para ficar bem entendido: “...QUE A LEI ESTABELECER”. Taekwondo não está estabelecido em lei. Não adianta querer estabelecer esta regra no Estatuto, Não vale!

Atualmente no Brasil, por desconhecimento do ordenamento jurídico, muitos professores e mestres de taekwondo acham que são obrigados a se filiarem à federação estadual. 

Logo, o mestre ou professor  de taekwondo que se sentir ameaçado por qualquer dirigente, neste sentido, pode ir Ministério Público Estadual – em nome da coletividade de taekwondistas daquele estado - denunciar a entidade e pedir que proponham uma ação contra a federação, baseada na lei do país.
Alguns presidentes (pra não dizer a maioria) se utilizam do pouco conhecimento destes professores para encurralá-los. No fundo, alguns deles só estão preocupados mesmo é com o dinheiro que podem auferir das taxas de exames dos alunos destes professores ou mestres.
Os presidentes de federações de taekwondo do Brasil devem baixar a bola e procurar se instruir sobre os direitos de uma entidade privada. Se querem que os taekwondistas façam parte de sua entidade e os respeitem, devem trabalhar para isso e demonstrar aos mestres, professores e praticantes do estado as vantagens de se filiarem.

Portanto, na hora do pega pra capar, os mercadores vão assumir particularmente o ônus do que fizerem de errado da mesma forma que os dirigentes que acreditam ser donos do taekwondo no estado.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Federações não querem que Pinto caia

Marcus Rezende

Cartas que os presidentes das federações de taekwondo coligadas à CBTKD enviaram à entidade se solidarizando com o presidente da confederação, Carlos Pinto, depois que os Desembargadores do Rio de Janeiro decidiram anular o tal estatuto ilegal e inconstitucional, aprovado em Novembro de 2011.

Lendo cada uma delas ficou a impressão de que o mandatário da CBTKD emanou ordem para que os presidentes abordassem conteúdos específicos no intuito de sensibilizar os magistrados. 
Como toda unanimidade é burra, como diria Nelson Rodrigues, com pouca criatividade, os presidentes das entidades estaduais deixaram isso claro em suas manifestações de repúdio à decisão do TJ do Rio de Janeiro e de apoio ao presidente da Confederação Brasileira de Taekwondo.

Se o leitor conhece um desses presidentes estaduais, pergunte a eles por que até o momento não se manifestaram em relação à publicação no site da entidade sobre a prestação de contas ordinárias da CBTKD do ano de 2014? Será que a AGO ocorreu, mas as contas não foram apresentadas? Será que estão atrás das notas que justifiquem os gastos? Podemos pensar em qualquer coisa, em se tratando deste grupo sob eivadas suspeições de desvio de dinheiro público.Mas isso tudo está sendo apurado. Só esperamos que os presidentes estaduais que hoje defendem esta gestão, mantenham-se fieis quando as suspeitas forem comprovadas.


E ainda questionam não terem sido ouvidos pelos desembargadores.




As cartas que resumo a seguir foram anexadas a uma apelação que a CBTKD fez à 3ª Câmara Cível.


Vamos analisar alguns trechos das cartas.

O que diz o presidente Gilson Baracho, da Federação Esportiva Fluminense: “Ficamos sem entender porque o poder judiciário do estado do Rio de Janeiro não deferiu as provas testemunhais, tão importante para a apurar a verdade dos fatos neste processo”.

Ora, não seria porque os magistrados entendem que o papel de uma federação é o de fiscalizar e não o de defender a confederação? Tem que respeitar a decisão da justiça, presidente, e procurar entender o que ocorreu de verdade. Ao que parece, não leu a decisão.


O presidente da Federação da Bahia, José Carlos Teixeira, vai na mesma toada e diz que a decisão está causando temor aos atletas da Bahia e um retrocesso no nordeste. Sem comentários!


Já o presidente da Federação Maranhense, Geová de Sousa, também se manifesta contra a decisão do TJ do Rio, argumentando que o a nova gestão valoriza os atletas em todo o território nacional e diz que a atitude do egrégio tribunal foi equivocada. Ora, solicito ao presidente que faça a defesa, então, dos trechos inconstitucionais deste estatuto aprovado.


Já o presidente da Federação do Tacontins, Pedro Araújo, vai ao paroxismo quando diz que os internautas se apropriaram da decisão dos desembargadores para destruir a imagem do esporte. Chega a ser ridículo acreditar que os desembargadores tomaram suas decisões baseados no que alguns poucos descontentes (na visão dele) vem publicando.


O presidente da entidade de Mato Grosso, Hélio Ribeiro, inicia a carta com a mesma ladainha dos demais, dizendo que esteve presente à tal Assembleia e que o estatuto aprovado foi o lido a todos. Lamenta também o fato de não ter sido ouvido como testemunha. Diz que a decisão dos desembargadores é desastrosa e que serve para favorecer um pequeno grupo. Presidente, a modificação posterior no estatuto foi provada.


O Presidente do Amazonas, Raimundo Gomes, diz que a decisão traz a ele muitos transtornos em vista do calendário desportivo. Não explica onde está o erro na decisão, mas diz esperar que a situação seja resolvida. Será, sim.


Aí vem a carta do presidente da Federação mineira que ocupou o lugar da original. O senhor Lécio Mizael diz que a decisão do TJ está trazendo desconforto. Explica que realizou isso..., realizou aquilo e que a decisão compromete o desenvolvimento do trabalho. Só pode estar brincando!


A carta do Presidente da Federação de Rondônia, Frank Lopes, se reporta ao planejamento da federação em relação às competições que estão por acontecer e que a decisão do TJ irá transformar os sonhos deles em caos. Em nenhum momento apresentou o erro do egrégio tribunal.


O presidente de Santa Catarina, Adelino Filho, manifesta “repúdio frente à decisão judicial que afronta a democracia e o poder máximo da entidade que é a assembleia geral”. É impressionante como os caras não conseguem entender que assembleias não estão acima das leis. Ele, com certeza, não prestou atenção nas alterações que Pinto fez no Estatuto cancelado pela justiça. Fala de instabilidade aos atletas, como se estes fossem fruto de trabalho federativo. É outro que parece entender federação como clube.


A carta do Presidente do Rio Grande do Norte, Rivanaldo Freitas (também técnico da Seleção Juvenil), não muda a cantilena. Parece uma cópia das demais. Apenas acrescenta a insegurança que o fato irá causar, em razão dos Jogos de Toronto e das Olimpíadas de 2016.


A carta do presidente da Federação do Paraná, Fernando Madureira, não vou nem comentar, pois o sujeito é simplesmente presidente de uma federação e técnico da Seleção principal. E pior, recebendo salário por isso. Que isenção tem pra falar alguma coisa?


Victor Amorim, da federação pernambucana, parece ter dado um CRTL C e um CRTL V (copiou e colou). Nada a dizer.


Daí vem a carta do presidente da federação do Amapá, Auciney Maciel. Ele se mostra preocupado com os prejuízos aos atletas e aos “resultados perante o nosso esporte no cenário mundial”. O que isso tem a ver com o cenário mundial, nobre presidente? O prejuízo mesmo pode recair sobre a cabeça do outro técnico da seleção brasileira, Junior Maciel (teria algum parentesco com o presidente?). Este certamente, havendo uma nova gestão com gente séria, estará fora.


A carta do presidente da federação de Roraima, Nailton Carneiro, pede a Pinto que se mantenha firme em suas atitudes e que ele “não se deixe abater por ações judiciais demandadas por quem nunca teve compromisso com o taekwondo”. A ação judicial é da FTEMG. Baseado em quê o nobre presidente diz que esta federação não tem compromisso com o taekwondo?


O presidente da federação do Piaui, Ricardo Paraguassu, fala do orgulho de se ter atletas no ranking mundial. Usa também a ladainha para que Pinto não se deixe abater por “ações demandadas por quem nunca teve compromisso com o Taekwondo”. Perceberam, o CRTL C e CTRL V?


Roberto Elias da Silva, de Mato Grosso do Sul, em carta minúscula, fala dos transtornos causados pela decisão. Diz que não viu nenhum tipo de alteração no estatuto. Realmente parece estar cego.

Em carta mais robusta, José Junior, da Federação de São Paulo escreve, escreve e não diz nada. Fico a imaginar os desembargadores lendo a carta dele. Não vão entender nada, pois até em soberania nacional ele se reporta, quando utiliza o espaço para criticar a vinda dos mestres da Kukkiwon ao Brasil.


Já Francisco Almeida Gomes, do Ceará, que inicia a carta da mesma forma pouco criativa que as demais, diz assim: “Conhecemos muito bem as pessoas que entraram contra a entidade na justiça”. Chega ao cúmulo de associar a vitória do atleta paraibano, Netinho, nos Jogos Olímpicos da Juventude, ao apoio que a CBTKD deu aos estados do nordeste. E o que isso tem a ver com o caso, ínclito presidente?


A carta do recém-empossado presidente da federação de Goiás, José Ricardo Favorito, faz parecer que o taekwondo competitivo do Brasil começou em 2011, quando diz que agora muitos atletas estão disputando competições internacionais e conquistando títulos para o nosso Brasil.


Itassi Camargo, do Acre, que foi empossado logo após a federação legítima ter sido desfiliada, diz se mostrar muito preocupado. Chega ao primarismo de perguntar se a atleta do estado dele, classificada para o campeonato mundial, será prejudicada com a decisão. Como se a vaga da atleta fosse fruto do trabalho da federação. É outro que deve achar que federação é clube. Triste.


Já o presidente da federação alagoana, Gilberto da Silva, cita a escravidão pela qual o taekwondo passava quando era dirigida por coreanos. Não fala nada com coisa nenhuma para que sua carta esteja anexada aos desembargadores.


O presidente da federação de Sergipe, Eduardo Gonçalves, inicia a carta com “imenso pesar”. Ele diz não entender por que as federações não foram chamadas para serem ouvidas no processo. Eu respondo: os desembargadores não são tolos. E completa a carta dizendo que o judiciário foi induzido ao erro. 
 Desembargadores induzidos ao erro e a CBTKD pagando os tubos a um dos escritórios de advocacia mais conceituados do Brasil? Ora, senhor presidente, não sejamos ingênuos.


O presidente da federação gaúcha, Olzemir Machado, diz que a decisão está causando o caos para os atletas. Dai fala em Olimpíada, em ranking em definição de atletas. Uma cartinha sofrível.


A carta do presidente da Federação do Pará, assinada por Denilson Costa, vem com título: INDIGNAÇÃO do PARÁ. Vamos deixar só uma frase dele: “a assembleia geral é unânime e suprema”. Imagina um desembargador lendo isso?


A Federação da `Paraíba, presidida por Tomaz Azevedo, também manda carta com título: “Federação Paraibana lamenta erro do judiciário do Rio de Janeiro”. Ele afirma que as 27 federações através do voto direto resolveram desfiliar as federações “ora em questão”. Acredita que uma assembleia tem esse poder. E ele finaliza dizendo que as federações desfiliadas não cumpriram com o que está escrito no estatuto. Que estatuto? O que foi anulado pela justiça? faça-me o favor...


E por fim o presidente da federação do Distrito federal, Ademar Inácio Lamóglia. Ele escreve a mesma coisa que os demais, mas faz questão de frisar que a CBTKD é regida por seu estatuto e que as assembleias são soberanas. Ora, presidente, ninguém discorda. Porém, acima do Estatuto estão as leis do país. A Assembleia soberana, por exemplo, não pode alterar regras legais que estão na Constituição Federal.

É por essas e outras que continuo afirmando que falta muita cultura desportiva aos presidentes das federações de taekwondo do Brasil.


Então, nobres presidentes, se o Pinto cair, seria de bom alvitre que os senhores abrissem mão de seus mandatos em solidariedade a este revolucionário presidente. E se a justiça confirmar a ilegalidade, os senhores devem também ser afastados, pois foram cúmplices desta ilegalidade. Ou não? 

terça-feira, 23 de junho de 2015

Falta de cultura desportiva: o mal do taekwondo brasileiro

Marcus Rezende




Por que as federações de taekwondo no Brasil não se desenvolvem e qual seria o verdadeiro papel destas entidades no gerenciamento desta modalidade Olímpica?
Depois de anos vendo diversos absurdos acontecerem no taekwondo brasileiro não é difícil entender o motivo pelo qual dirigentes estaduais encaram a entidade de administração como uma propriedade deles. Impressionante também como acreditam que o taekwondo no Estado os pertence.
A falta de cultura desportiva faz com que tais dirigentes acreditem não existir vida no taekwondo fora das federações. E aí se espantam quando descobrem alguns mestres cheios de alunos que nem lembram da existência destas entidades. E se surpreendem quando percebem que os adeptos não filiados (alheios ao sonho Olímpico) querem mesmo é treinar a arte marcial. E que, mesmo quando querem competir, o fazem em eventos dos mais diversos, longe do poder que a federação acha que possui.
Nesta ilusão, os dirigentes tupiniquins vão administrando uma modalidade apequenada e tacanha, acreditando que os professores e mestres não se sustentarão longe deles.
O problema é que na direção de uma entidade está sempre um mestre acostumado a mandar. Daí, ele acha que tem o papel de mandatário do taekwondo no estado. Ele não consegue admitir a falta de poder. Ele não consegue entender que precisa servir e não ser servido. Daí ele se fecha em um mundo pequeno, só dele, achando que é grande, porque a CBTKD reconhece a entidade como a única  representante do taekwondo naquele estado. Todavia não tem a capacidade de interpretar que esta representação se dá tão-somente no âmbito da CBTKD.

Como teriam de agir? 

Em primeiro lugar entendendo que seu papel principal não é o de realizador somente de campeonatos, tampouco de formador de atletas; sim o de fomentador da modalidade. Mas o que seria isso? Muitos desses dirigentes infelizmente nem sabem o significado da palavra fomento.
Não procuram utilizar a força da pessoa jurídica que possuem para abrir espaços no sentido de tornar conhecida a modalidade em todas em suas vertentes.
Trabalhando nesta seara, o administrador de uma federação conseguiria dar visibilidade a modalidade e aumentar o número de praticantes. Mas como fazer isso?
São tantas as possibilidades, que seria preciso muitas páginas a escrever. Hoje, tornou-se muito mais fácil fomentar em razão da tecnologia nas comunicações. Um exemplo, entre muitos, seria o dirigente levar o taekwondo onde o povo está. A federação poderia criar um grupo de conselheiros para estabelecer ideias para esta filosofia.
Hoje em dia, o professor fica esperando alguém entrar em sua academia, conhecer as características da modalidade por meio da aula e se apaixonar pela beleza do taekwondo. E quem ensina sabe o quanto é difícil isso ocorrer da forma desejada. 
 A federação poderia encurtar este caminho e fazer com que esta pessoa chegue à academia já sabendo o que vai ver, tendo em vista ações de fomento perpetradas por ela.
Apresentando um trabalho bem alicerçado, logo de cara, a federação começaria a ganhar credibilidade junto a professores e mestres. Esse profissional que vive do taekwondo passaria a reconhecer que o aumento no número de alunos deveu-se ao trabalho da entidade, mesmo ainda não estando filiado a ela. E, daí por diante, uma coisa chamaria a outra.
O que ocorre hoje em dia é que as federações não fazem nada a esse respeito e buscam na política do medo levar ao profissional o entendimento errado de que se ele não se filiar será considerado clandestino e que as autoridades poderão fechar o seu estabelecimento. E muitos acreditam nisso.
Tem dirigente que, por ser um mestre praticante, conhecedor profundo da modalidade, quer estabelecer as suas metas técnicas à comunidade taekwondista de seu estado, desconsiderando as limitações de alguns destes profissionais. Muitos acham que sabem mais do que os outros e que, por estar no comando, se obrigam a estabelecer diretrizes de treinamento e exames de faixa. Criam seminários, cursos e o tornam de participação obrigatória.
Não veem que tais atitudes só afastam os professores e mestres. Assim sendo, o sujeito que ensina e que possui um pouco mais de esclarecimento, nem dá bola para tais absurdos e vai cuidar da vida. Quantos no Brasil não estão nem aí para as entidades?

quinta-feira, 18 de junho de 2015

A casa caiu para Carlos Pinto

Marcus Rezende


O Desembargador Peterson Barroso Simão assinou na data de hoje, 18 de Junho de 2015, o acordão dos Desembargadores da Terceira Câmara Cível do TJ do Rio de Janeiro anulando todos os atos de Carlos Pinto, presidente da CBTKD, depois que fraudulentamente o estatuto da entidade foi alterado. Ou seja, por meio da decisão, para o bom entendedor, até mesmo a Assembleia de eleição do presidente estaria nula.
Em seu relatório, o desembargador foi contundente quando reafirmou que o COB não teria poder nenhum para chancelar os atos perpetrados por Carlos Pinto à frente da confederação. “...De nada adianta sustentar a chancela do COB, pois ele se submete a CRFB (Constituição da República Federativa do Brasil) e as leis do ordenamento jurídico pátrio, não sendo uma entidade suprema, superior as leis, capaz de convalidar ilegalidades. Assim como, a própria desfiliação do autor seria nula (referindo-se à FTEMG), por ser tomada com base em estatuto nulo”, assim relatou o desembargador em um dos trechos do acordão.
Peterson ainda cita as diversas matérias que saíram na imprensa sobre as investigações da Polícia Federal por suspeita de conduta criminosa dos gestores da entidade.
Ele foi taxativo quando citou a fragilidade administrativa da CBTKD em razão das suspeitas de crimes contra o erário público da União, referindo-se à fraude contra a FTEMG. É categórico também ao afirmar que o Juiz de primeiro grau pode determinar o afastamento de Carlos da presidência da confederação até o fiel cumprimento do teor da decisão.
Trocando em miúdos para o leitor entender os próximos passos que serão dados. Os advogados da CBTKD vão tentar levar o caso para o Superior Tribunal de Justiça. Porém, segundo Márcio Albuquerque, advogado da FTEMG, a partir de agora, a confederação terá um prazo para recurso, e a terceira vice-presidência do TJ é quem vai decidir se poderão recorrer.
Márcio explica ainda que, independentemente do que fará a confederação, entrará de imediato com um pedido ao Juiz de primeiro grau para que a CBTKD cumpra a decisão do Tribunal: “A CBTKD terá de cumprir a decisão judicial de retornar às federações, sob pena de o presidente ser afastado do cargo”.
Márcio acrescenta que as chances de a confederação levar o caso para os tribunais superiores são muito pequenas. “Não podem rever provas; só matéria de direito pode ser alegada e não houve nada de ilegal nas decisões”, explica o advogado, acrescentando que a decisão não irá para o STJ, tampouco para o STF porque não atingiu matéria constitucional.

Márcio, que vem lutando contra as ilegalidades perpetradas por esta gestão desde 2012, tem certeza de que o caso acaba ali, pois as decisões de primeiro e segundo graus foram baseadas em provas. “Eles teriam que demonstrar ofensa a lei ou a constituição para tentar ingressar com os recursos”, sentencia o advogado.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Carlos Pinto tem muito o que explicar sobre a licitação 003/2012

Dezembro de 2011. Pensando em estruturar o esporte do país para as Olimpíadas de 2016, o Ministério dos Esportes resolve abrir o cofre às confederações desportivas brasileiras. Para o Taekwondo, o convênio 761166 decide despejar R$ 3.082,350,00.
Diz aí: são muitos dígitos pra gente que nunca teve dinheiro nenhum, não é verdade?
A turma deve ter ficado arrepiada com tanta grana a entrar nos cofres de uma entidade pobretona que só se sustenta por causa do dinheiro público, que vem entrando de forma minguada desde 2002.
Daí, o ditado de quem nunca comeu melado quando come se lambuza caiu como uma luva pra CBTKD.
Iniciou-se então a já batida forma de licitações pelas quais os concorrentes apresentam propostas altíssimas, e quem leva a bocada é a empresa que oferece o preço mais baixo.
Porém, o preço mais baixo supera, às vezes, mais que o dobro do valor de mercado.
E a licitação 003/2012 da CBTKD é para compra de muitos equipamentos à entidade. Os participantes dão seus preços. Olha: UMA BRINCADEIRA DE MAU GOSTO.
E a coisa, mesmo desconexa com a realidade comercial do país, acontece mesmo; a grana é paga e os fornecedores que superfaturam riem à toa.
No campo da investigação, no que se refere à apuração de malversação do dinheiro público, tudo no Brasil é muito demorado. Mas as coisas, mais cedo ou mais tarde, acabam sendo descobertas.
Pelo que colhi de quem está de perto acompanhando todo o cruzamento realizado pela Polícia Federal e Ministério Público Federal não vai demorar muito para sabermos que tais licitações estão eivadas em ligações diretas e indiretas com o objetivo claro de desviar recursos públicos.
Vamos a uma palhinha do que aconteceu neste convênio, cujo intuito era dar uma força para o taekwondo brasileiro.
Abaixo, três exemplos dos muitos que estão no site do SINCOV.
Diriam os compradores:
“Precisamos de 60 Laptops. Vamos comprar Laptop. Quanto custa um Laptop com características de um Dual Core 3 GB da ASUS?”
“Chama a Donmar Informática; ela não vai ganhar”. Preço: R$ 3.000
“Chama a Comércio de Máquinas e Sistemas; também não vai ganhar”. Preço: R$ 2.280,00
“Chama a Renascer” (Aquela que vende bebidas?); não tem problema; ela também não vai ganhar” Preço R$ 3.500,00.
“Agora, chama a vencedora Tecrool. Esta vai vencer”. Preço: R$ 2.250,00.
Um equipamento melhor pode ser encontrado no mercado até por R$1.250,00
“Precisamos também de 30 telas de LED 42”
“Chama a Comércio de Máquinas e Sistemas, que também não vai ganhar”. Preço: R$ 2.489,00
“Chama a Renascer” (Aquela que vende bebidas?); não tem problema; ela também não vai ganhar” Preço: R$ 3.100,00.
“Agora, chama a vencedora Tecrool. Esta vai vencer”. Preço: R$ 2.450,00
Se a CBTKD procurasse lá no Ponto-Frio poderia encontrar até por R$1.449,00
E Rádio Comunicador? Precisamos de 76 pares.
“Chama a Donmar Informática, pois ela não vai ganhar” Custa R$ 360,00
“Chama a Renascer” (Aquela que vende bebidas?); não tem problema; ela também não vai ganhar” Preço: R$ 450,00
“Agora, chama a vencedora Tecrool. Esta vai vencer”. Custa R$ 348,00.
Mas o Rádio Comunicador entregue à CBTKD não foi da Intelbrás? E o preço de mercado não pode ser encontrado até por R$ 96,95?

Tudo pode ser visto detalhadamente no site do Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasses – SINCOV.
Como encontrar?
Vá ao google e digite: convênio 761166; procure “Proposta-Detalhar Proposta”, acessando o SINCOV. Em seguida, aparecerão alguns links em azul. Clique em “Execução Convenente”. Depois, logo abaixo, vão aparecer outros links iguais em azul. Clique em “Processo de Execução”. Desça o cursor e encontre o número 003/2012. Daí, seguindo horizontalmente aparecem quatro itens: “Detalhar”,“visualizar itens”, “visualizar fornecedores” e “visualizar arquivos”. Neste último, pode ser visto as propostas de cada uma das empresas que participaram da licitação e os valores para os respectivos itens cotados.

Fui alertado por um ínclito advogado que, possivelmente, o plenipotenciário da confederação venha a reunir em assembleia os presidentes das federações para desfiliar o Ministério dos Esportes por divulgar tais documentos