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sábado, 3 de maio de 2014

Sala bonita e quarto desarrumado

Marcus Rezende

Escolha uma entidade que administre nacionalmente um esporte olímpico no Brasil, visite o site desta confederação e clique no link DIRETORIA. Com certeza, você terá acesso aos nomes das pessoas que compõem a diretoria daquela entidade

Agora, vá ao site da CBTKD e faça a mesma coisa. Você encontrará: EM ATUALIZAÇÃO. Isso há mais de um ano, salvo engano.
Agora, vá no link “Palavra do Presidente”, tem até foto nova.
Parece implicância e má vontade, mas não é não. Vejam só: digamos que um propenso patrocinador queira conhecer as pessoas que compõem aquele colegiado de administradores. Daí, antes de fazer um contato formal, resolva acessar o site da entidade para conhecer quem faz parte da diretoria. O que vai acontecer? Ele vai se deparar com uma situação, a meu ver, inaceitável e indesculpável. Algo que, de pronto , vai denotar desorganização.
E nessas condições, caro leitor, o patrocinador sequer fará contato, pois é raro uma empresa querer associar o nome dela a uma entidade desorganizada em coisas básicas.
Sendo assim, quando ouvimos algo como: a entidade está indo de vento em popa, percebemos que o discurso se ancora em resultados de abnegados atletas que trabalham duro para o êxito lá fora.
Portanto, encher o papo e dizer que os atletas antes não tinham recursos para viajar e hoje dispõem de todas as condições de translado, estadia e alimentação, não se sustenta mais.
  Os recursos financeiros da CBTKD não são fruto do empreendedorismo do atual presidente. Isso porque a arrecadação ordinária da entidade é pífia e, ainda assim, muito mal fiscalizada pelos dirigentes regionais, os quais nem titubeiam no sentido de pedir para ver os extratos bancários. Se o fizerem correm o sério risco de serem desfiliados no dia seguinte.
Dessa forma, não adianta apresentar uma sala arrumadinha, se os quartos estão em desalinho.

P.S. Provavelmente, depois deste artigo, acordem e coloquem no site os nomes das pessoas que fazem parte da diretoria da Confederação. Quando o fizerem, informo logo abaixo, ok?

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Blog anônimo apresenta denúncias contra presidente da CBTKD

Marcus Rezende

Eis que no dia de hoje, após um exaustivo plantão, abro meu facebook e lá encontro o pedido de amizade do senhor Carlos Luiz Pinto Fernandes, Presidente da CBTKD. Logicamente que, de cara, percebi que só podia se tratar de um Fake. E era.
Ao abrir o falso perfil, verifiquei uma página eivada em denúncias e seus respectivos links comprobatórios. Havia também o endereço de um blog anônimo:
cbtkd-news.blogspot.com.br, o qual repercutia as mesmas acusações.

Na verdade, uma irresponsabilidade de quem resolveu se arriscar tentando repetir o que há pouco tempo foi feito por outro blogueiro anônimo, só que em defesa do senhor Carlos Fernandes. Tal blog atacava a vida pessoal dos adversários políticos do presidente da CBTKD. Eu fui um desses alvos. Porém, nunca liguei; sabia quem mandava escrever.

Mesmo me indignando contra fakes e blogs anônimos, a verdade é que este, diferentemente do outro blog, surge apresentando documentos do que denuncia e dando publicidade de problemas judiciais do presidente. O blog revela um processo criminal do início deste ano, que corre no Terceiro Juizado de Violência Doméstica, em Jacarepaguá, no qual Fernandes é acusado de agressão. O processo é público; tá lá pra qualquer um ver. Mas eu não vou aqui dar número, pois trata-se da vida privada do presidente.
O outro é a apresentação do extrato bancário de toda a movimentação da CBTKD, de Outubro de 2013 a janeiro deste ano. Este, eu achei gravíssimo. São 12 páginas que, de alguma forma, saíram de dentro da confederação para cair nas mãos de alguém aqui fora.
O criador anônimo do blog, ao apresentar o extrato, pede a devida atenção às seguintes rubricas: CXE SAQUE (supostas retiradas diretamente no caixa do banco realizadas pelo próprio presidente); CXE VIVO (pagamentos do telefone celular, supostamente dele); RSHOP (supostos gastos particulares do presidente).
A veracidade do extrato pode ser comprovada clicando aqui
O autor ainda promete revelações bombásticas tais como gravações que comprometedoras entre o presidente da CBTKD e dirigentes do COB.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Receita paraibana para se tornar campeão mundial juvenil

Marcus Rezende

Quando Natália Falavigna, no ano 2000, com apenas dois anos de taekwondo nas costas, colocou na cintura uma faixa preta e viajou para Irlanda para disputar o III Campeonato Mundial Juvenil de Taekwondo, ela estava cumprindo o prenúncio de seu mestre, Clovis Ayres, que lhe dissera dois anos antes: “você será campeã mundial”. E a profecia se cumpriu.

E Natália não precisou de uma entidade ditando normas de treinamento, tampouco de uma Comissão Técnica que hoje é formada por interesses que visam sustentar politicamente o mandatário da entidade nacional. Não. Natália treinou na academia de seu mestre: a “Academia Pequeno Tigre”, em Londrina.

14 anos depois, o exemplo se repete com o jovem paraibano Edival Marques Pontes, que treinado pelo mestre Tomaz Azevedo, dentro da academia AMTKD, mostrou que para ser um campeão mundial basta treinar sério e de forma programada.

Edival possui uma programação física, técnica e tática elaborada pelo treinador. A receita? quatro horas de treino por dia, cinco vezes na semana. Com esses ingredientes, o jovem paraibano conquistou também  o Campeonato Brasileiro por duas vezes; a Copa do Brasil e o Sul-Americano da Juventude.

Tomaz também ressaltou que para chegar ao título mundial, assim como à classificação para os Jogos Olímpicos da Juventude, Netinho (como é chamado na intimidade o jovem campeão) contou com o apoio valoroso de outro grande treinador: o mestre Washington Azevedo, de Brasília, técnico do atleta Guilherme Dias, medalha de bronze no último Mundial.

Washington deu dicas valiosas a Edival de como dar eficácia às técnicas em meio à tecnologia dos protetores eletrônicos. E Edival foi à Capital Federal buscar estes macetes preciosos que o levaram ao título mundial. Agora, imagine se esse garoto possuísse os protetores eletrônicos?

A lição que se tira dessa história é a de que o título deste jovem paraibano, que nem protetores eletrônicos possui (esperamos que a confederação, no mínimo, o presentei com um KIT), serve de alerta para que a CBTKD dê mais atenção aos treinadores brasileiros. Inicialmente, valorizando o trabalho que cada um deles realiza.

E o mais importante: deixar que desenvolvam com tranquilidade a programação de seus atletas, sem a interferência dos técnicos de livre nomeação do presidente, os quais
  ficariam com o trabalho de conhecê-los tecnicamente (para melhor instruí-los na hora da competição internacional) e organizar os treinos de manutenção, enquanto estiverem em outro país.

Contudo, é preciso que se fale. Mesmo com o título de Edival, ainda assim,  não se pode fechar os olhos para a distância que tem separado os atletas do Brasil dos de outros países.

Fazendo uma análise do desempenho da Seleção neste Mundial Juvenil, pudemos ver que os outros atletas brasileiros mal passaram da segunda luta. E isso é muito preocupante. 

Não se pode fechar os olhos para o que aí está exposto. A centralização dos trabalhos da seleção brasileira é um equívoco que precisa ser reparado. 
 Ademais, além de projetos de fomento (que até o momento não foram implementados), os olhos da entidade não podem deixar de estar voltados para os treinadores, os grandes responsáveis pelas novas gerações de atletas brasileiros.



sábado, 1 de março de 2014

Realidade do Taekwondo brasileiro esbarra em Seleção para o ano inteiro

Marcus Rezende

Foto: Semile Rigobele
Jogos Abertos de 2013 - Alguns dos responsáveis pela nova geração de atletas brasileiros. Da esq. para a dir: Frederico Mitooka, Washington Azevedo, os talentosos irmãos Reginaldo e Clayton Santos, Belmiro Giordani e Sérgio Alberto

Pode ser até glamouroso realizar uma competição para definir os atletas que vão compor a seleção brasileira de taekwondo para o ano inteiro. Pode ser...Porém, em minha opinião, é insensato e contraproducente, visto que o ânimo de representar a Seleção deve estar aberto o ano inteiro.
Com a fórmula atual que perdura desde 2003, aos vencedores, pura felicidade. Aos que perderam, pura desolação.
Cá pra nós, se nem nas seleções de esportes coletivos isso ocorre, por que então tem que ocorrer justamente em um esporte individual como o taekwondo?
Vamos usar como exemplo o futebol. Alguma vez a CBF definiu uma Seleção Brasileira para o ano inteiro? Nunca. Por quê? Porque os atletas podem estar em boas condições físicas e técnicas hoje e não tão bem dois meses depois. O que a CBF faz? Realiza CONVOCAÇÕES. E o taekwondo o que deveria fazer? Realizar SELETIVAS para as competições do ano em curso. Está é a lógica que deveria permear nossa modalidade esportiva.
É necessário acrescentar, obviamente, que a realidade atual deste esporte marcial é movimentada por dinheiro público, o qual vem bancando todas as atividades da confederação. E aí perguntariam: como então definir aqueles que seriam bancados com esta verba pública? Ora, se é preciso nomes de atletas para uma remuneração, que se pense em uma fórmula por meio da qual, durante o ano em curso, os merecedores conquistem esta benesse, sem atrelamento à vaga definitiva na seleção. A Seletiva de início do ano não poderia servir para este fim?
Por outro lado, em vez de definir uma seleção para o ano inteiro, a CBTKD poderia também dar aos atletas brasileiros mais bem posicionados no ranking nacional e internacional status de atleta de seleção, tão-somente. Não estou dizendo, no entanto, que as regras para este ano devam ser modificadas. Já foram definidas e devem permanecer; seria uma injustiça com o trabalho árduo dos jovens irmãos treinadores de São Caetano, Reginaldo e Clayton Santos que puseram cinco atletas neste seleto grupo. Porém, é preciso que se faça esta reavaliação a partir de 2015.
Do jeito que está, os “derrotados” da seletiva definidora (que ocorre sempre em início de temporada), além da frustração da não conquista da vaga, para terem nova oportunidade, terão de viajar loucamente pelos OPENS caça niqueis, Brasil afora, para acumular pontos no ranking nacional e poderem competir novamente na seletiva única em 2015. O resultado, em muitos casos, em razão desta maratona, é o desestímulo de muitos atletas que, às vezes, param de competir para cuidar da vida. E quem perde com isso: o taekwondo brasileiro.
É preciso olhos atentos para enxergar que a fórmula está equivocada desde 2002, ano em que a Lei Piva iniciou o repasse de verba pública à CBTKD. A entidade, a partir desta época, assumiu uma postura paternalista e trouxe pra si a responsabilidade de preparar os atletas brasileiros, desconsiderando completamente o fato de que cada um deles possuía o próprio treinador.
Ao longo desses 12 anos, as Comissões Técnicas da CBTKD foram se intrometendo no trabalho dos treinadores brasileiros, os quais passaram a não conseguir plenamente planejar a vida técnica e atlética de seus atletas. E nessa toada, a Comissão da CBTKD, “viajando na maionese”, ia acreditando (como acredita até hoje) que o trabalho de desenvolvimento do jovem tinha de ser de responsabilidade deles.
Já imaginaram, por exemplo, a CBDA decidindo que vai começar a treinar o César Cielo? Algum dos leitores consegue imaginar isso? Por que não? Por que o cara é o melhor do mundo e treina nos EUA com o próprio treinador para ganhar medalhas para o Brasil.
Por que então aqui no Brasil querem reunir uma Seleção de atletas de Taekwondo e dar a eles uma direção que eles já possuem? Vão dizer (por exemplo) a Natália, ao Diogo, Márcio; aos Guilhermes e aos jovens de São Caetano como devem treinar? Eles não sabem? Não possuem seus treinadores?
Com cinco atletas nesta seleção formada, os geniais irmãos de São Caetano (Clayton e Reginaldo Santos) vão perder seus atletas para a vaidade da Comissão Técnica da Seleção Brasileira? Ou serão convocados para dar continuidade ao mesmo erro atualmente perpetrado? Os treinadores querem tranquilidade e apoio para continuar a produzir talentos para o taekwondo brasileiro.
Portanto, é hora de a CBTKD acordar. O Taekwondo é um esporte individual. Temos atletas de altíssimo nível no Brasil que só precisam que a entidade não os atrapalhe.

O Taekwondo brasileiro, por meio do trabalho de alguns treinadores, vem tentando criar uma forma própria de se conduzir. Porém, a CBTKD não está acompanhando esta nova realidade. Para finalizar, fica aqui o meu louvor ao trabalho realizado em São Caetano. O taekwondo brasileiro já começa a ficar devendo também a Reginaldo e Clayton Santos.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Grand Slam: festa também dos treinadores

Marcus Rezende

   Finalmente uma competição para demonstrar de vez que o sistema implementado neste país ao longo de décadas (e que ainda conta com a resistência de dublês de dirigentes) sempre esteve errado. No último final de semana (15 e 16 de Fevereiro, no Espirito Santo), a CBTKD promoveu uma competição denominada Grand Slam, por meio da qual os principais atletas brasileiros entraram no dojan para assegurar uma vaga na seleção brasileira de taekwondo.
Desta vez, a maioria dos treinadores não eram apadrinhados de dirigentes regionais. Os que ainda se fizeram presentes por indicação presidencial saíram do mesmo jeito que entraram. Em cena, de verdade, apenas os verdadeiros promotores de talentos deste país, acompanhando suas criações.
Pudemos ver complementando o cenário de luta os cariocas Alexandre Américo, Enoir Santos e Alan do Carmo; o renomado Carlos Negrão (SP); o paranaense Flávio Alves; o brasiliense Washington Azevedo; o piracicabano Frederico Mitooka; os grandes campeões, os irmãos feras de São Caetano, Clayton e Reginaldo Santos, entre outros. 
Quase sempre excluídos, por conta do formato das competições por seleções estaduais, os verdadeiros treinadores dos principais atletas deste país puderam mais uma vez mostrar a cara.
Apesar de particularmente não achar o mais sensato estabelecer (no início do ano) a seleção a representar o Brasil durante todo o calendário anual, confesso que houve um avanço ao se retirar das federações o poder de escolha dos atletas que poderiam tentar tais vagas; avanço – diga-se de passagem - forçado, logicamente, por uma corrente de treinadores cuja força não havia como mais segurar; as equipes de taekwondo são uma realidade para cujo sucesso, muitas vezes, apenas esperam que as entidades estaduais de administração não atrapalhem.
E falando em atrapalhar, a pergunta agora é a seguinte: formada a nova seleção, será que a CBTKD vai dificultar o trabalho já desenvolvido por estes treinadores guerreiros, retirando-os de seu habitat natural de treinamento e os levando para aventuras próprias de esporte coletivo? Se assim for, felizes os que ficaram em segundo lugar neste Grand Slam, pois talvez possam se livrar das garras das invencionices estabelecidas pela entidade e assim escolher quais competições abertas participar.
Diogo Silva, Natalia Falavigna, Márcio Wenceslau, Guilherme Félix, por exemplo, poderão se preparar com mais autonomia para os Grand Prix de Julho e Outubro, ambos com peso 4 no ranking internacional. Ao passo que os 16 atletas da Seleção Brasileira se obrigariam, em tese,  a participar das competições que a CBTKD definir.
Em todo caso, fica a torcida pelo bom-senso destes dirigentes, para que ouçam os treinadores destes atletas e respeitem a programação e prioridades de cada um deles para o ano em curso e que sirvam apenas de gerenciadores de um trabalho já existente.